Hoje, irei falar-vos de dois crimes que ocorreram nos últimos dias, mesmo não sendo ainda do conhecimento público. Tratam-se de dois delitos que, embora sendo completamente distintos, poderão escapar a qualquer tipo de punição.
O primeiro caso foi narrado pela Dona Maria José, uma senhora de 74 anos que, embora não sendo testemunha directa dos acontecimentos, veio a saber da ocorrência dum assalto na Rua do Sr. dos Aflitos, em Esmoriz. Nas palavras desta senhora, "o assaltante arrancou, numa noite, os puxadores de metal e as barras do tejadilho duma carrinha aí estacionada". A Dona Maria José teve assim conhecimento desta história que está a preocupar os moradores daquela rua bem como dos espaços vizinhos. Desconhece-se se a vítima (isto é, o proprietário da carrinha) apresentou queixas às autoridades contra desconhecidos. Todavia, será mais um caso inglório para a polícia. Normalmente, é muito difícil descobrir a identidade dos transgressores neste tipo de casos. O mais provável é que este dossier seja arquivado, embora desejemos o contrário!
Certo é que esta não é a primeira vez que este tipo de situações acontecem na região. Em Ovar, testemunhamos vários carros incendiados neste último ano, e no cemitério de Esmoriz, também os gatunos conseguiram levar alguns objectos de metal. Será expressão da crise ou desemprego? Será que eles fazem estas cenas lamentáveis por necessidade ou apenas por pura malvadez?
Imagem nº 1 - Por favor, tenham o cuidado de não deixar os vossos veículos cá fora, quando têm uma garagem, mais indicada para um estacionamento seguro.
Mais fácil de resolver, embora não haja vontade para tal, é o caso da poluição criminosa dos afluentes que vão dar à Barrinha de Esmoriz. Sim, refiro-me sobretudo àquele riacho que vem desde São Paio de Oleiros, atravessa Paramos (passa à frente do Regimento de Infantaria) e desagua na nossa Lagoa.
De facto, recebemos uma denúncia anónima, mas com provas fotográficas que a credibilizam, sobre o que algumas fábricas de papel de São Paio de Oleiros andam a fazer... Aliás, o autor desta acusação, refere que há uma delas (embora não deseje identificá-la para não arranjar problemas ou confusões para o seu lado) que é reincidente até dizer basta!
Antes de passar à apresentação das imagens, lamento que estes empresários da treta continuem a destruir a nossa bela natureza. De uma vez por todas, é necessário punir os badalhocos! Desculpem-me o termo, mas é o que eu sinto neste momento (como diz o ditado - "quem não sente, não é filho de boa gente"). Estes despejos de cargas poluentes vitimizam milhares de peixes e colocam em causa a integridade da vegetação. Imaginem se a Barrinha perde, por causa desta irresponsabilidade, a planta jasione lusitanica (ou jasione montana) que é frágil e só existe apenas em poucos espaços de Portugal (não existe no resto do mundo, daí apenas chamar-se "lusitanica"). Mas se esta espécie vegetal raríssima desaparecer, quem é que vai ser responsabilizado pelo seu desaparecimento? Nesta república das bananas, ninguém paga pelos crimes contra a Natureza. Algumas destas fábricas receberam inclusive subsídios para instalar saneamento, mas preferiram guardar esses fundos para outros fins, faltando ao prometido. É o apogeu da chico-espertice! Insisto na ideia - às vezes, penso que temos mesmo o país que merecemos!
As fotografias que apresentamos em seguida foram tiradas neste último fim de semana, segundo a pessoa que apresentou a referida denúncia:
Imagem nº 2 - Duas perspectivas (uma com mais zoom, outra com menos) sobre o estado das águas provenientes de São Paio de Oleiros. As águas do riacho que vão desaguar à Barrinha estão completamente escuras!
Autoria anónima
Imagem nº 3 - O curso de água prossegue até Paramos (Espinho) e o estado das águas continuam a ser deploráveis. Por vezes, o ser humano é privado de respirar o ar puro e saudável da natureza, ficando apenas com um cheiro nauseabundo! Até quando isto vai continuar? Quando é que passam a aplicar coimas elevadas aos responsáveis? Não será Portugal, um país civilizado?
Autoria anónima
Por fim, temos que fazer a devida vénia ao macaco Gervásio porque este tem mais neurónios que muitos seres humanos.
Também acho que a Casa do Ambiente que, percorrer as praias do Concelho de Ovar, durante o Verão, deveria, no Outono e no Inverno, andar por estes espaços. Pode ser que eles, os espertinhos do costume, aprendam alguma coisa, visitando a Casa do Ambiente! Se quiserem também pode tentar os jogos didácticos que se encontram nessa enorme e exemplar carrinha da ERSUC! Assim, talvez aprendam mais depressa!
Para os srs. das fábricas transgressoras (repito isto é apenas para aquelas que desrespeitam o ambiente que felizmente não são todas - há sempre admiráveis excepções), nunca é demais deixar-vos este vídeo. Se não sabem, o Prof. Gervásio vai ensinar-vos o local para onde depositamos o nosso lixo. Se ainda tiverem dúvidas, contactem as autoridades competentes e elas ensinam-vos como lidar com a natureza!
Vídeo nº 1 - O Gervásio é mais limpo e higiénico do que muitos humanos!
Retirado do Youtube


