Os bombeiros voluntários de Esmoriz partilharam uma notificação da Autoridade Nacional da Protecção Civil que deverá ser do interesse de todos. Segundo o teor da mesma, irá verificar-se uma "diminuição da temperatura a partir da noite de terça para quarta-feira, provocando uma situação de tempo frio e seco que se prolongará até ao próximo sábado (21 de janeiro)".
O vento irá soprar de forma mais intensa, o que poderá acentuar o desconforto dos cidadãos.
A Autoridade Nacional da Protecção Civil recomenda que se tenham em conta os seguintes procedimentos:
Que se evite a exposição prolongada ao frio e às mudanças bruscas de temperatura;
Recorrer à utilização de várias camadas de roupa, folgada e adaptada à temperatura ambiente;
Garantir a proteção das extremidades do corpo (usando luvas, gorro, meias quentes e cachecol);
Proceder à ingestão de sopas e bebidas quentes, evitando o álcool que proporciona uma falsa sensação de calor;
Tomar especial atenção com a proteção em termos de vestuário por parte de trabalhadores que exerçam a sua atividade no exterior, e evitar esforços excessivos resultantes dessa atividade.
Prestar especial atenção aos aquecimentos com combustão (ex. braseiras e lareiras), que podem causar intoxicação devido à acumulação de monóxido de carbono e levar à morte;
Que se assegure uma adequada ventilação das habitações, quando não for possível evitar o uso de braseiras ou lareiras;
Que se evite o uso de dispositivos de aquecimento durante o sono, desligando sempre quaisquer aparelhos antes de se deitar;
Que se tenha em atenção a condução em locais onde se forme gelo na estrada, adotando uma condução defensiva;
Especial atenção por parte das famílias e vizinhos, e das redes sociais de proximidade, com as situações de pessoas idosas ou em condição de maior isolamento;
S.C.ESMORIZ X FIÃES: 1ª PARTE PARA SOFRER, 2ª PARTE PARA RECORDAR (Crónica - JUÍZO DE BANCADA)
Na última jornada da 1ª volta do Campeonato Safina, o Sporting Clube de Esmoriz (S.C.E.) tinha encontro marcado, na sua “fortaleza”, o Estádio da Barrinha, com o Fiães S.C. Depois de uma 1ª parte a sofrer, uma 2ª parte para recordar, com 4 golos sem resposta. Vando, Fred, Koneh e um autogolo ditaram a vitória da equipa vareira.
De um lado, o líder incontestado do campeonato; do outro, uma equipa que, embora com muito valor, ocupava o 11º posto da classificação. Mas, curiosamente, se a classificação os separava, havia algo que os unia – dois clubes foram fundados no mesmo ano, em 1932…
Mas da história não reza o futebol e com a bola a rolar é sempre outra a história. E, por vezes, o futebol surpreende.
Quem surpreendeu foi Narciso Ratinho, ao optar por Ruca a lateral direito (que, diga-se, fez um bom jogo). O treinador esmorizense escolheu Borges para a balizar, Ruca para a direita e Seijas para a esquerda, com Joel Alves e Correia a centrais; Batista, Banda e Pedro Godinho no meio campo; Fred, Koneh e Vando no ataque.
O jogo é fácil de resumir e dividir. Parece que as equipas combinaram: «uma parte para mim, outra parte para ti. Ora faço eu boa figura, ora fazes tu.»
A primeira parte foi toda do Fiães. Os visitantes foram superiores ao S.C.E. (há que reconhecê-lo), criaram as melhores ocasiões de golo (Napoleão e Xavi chegaram mesmo a acertar na trave) e o S.C.E. não conseguiu criar uma clara ocasião de golo (mais uma vez, mérito do Fiães). Se fossem a vencer para o intervalo, ninguém se admiraria.
Na segunda parte, inverteram-se os papéis: só deu Esmoriz. Desconheço o que Narciso Ratinho disse aos seus jogadores mas o certo é que a equipa da Barrinha entrou em campo com mais motivação e um espírito renovado. Sentia-se que o golo não tardaria a aparecer. E assim foi… Ou melhor, assim…foram.
É que em dez minutos o S.C.E. faz 3 golos: primeiro Vando, num remate oportunista, com classe, à ponta-de-lança; depois Fred, que encosta para golo depois de uma defesa incompleta do guarda-redes do Fiães; e como não há duas sem três, num canto, Fabiano, atleta do Fiães, faz autogolo.
10 minutos de terror para o Fiães; 10 minutos perfeitos para o S.C.E.
O jogo não haveria de terminar sem Koneh fazer gosto ao pé, aos 81’ a fixar a contagem final em 4-0, depois de, também ele, se limitar a encostar para a baliza uma bola largada pelo guarda-redes dos visitantes.
Apesar da primeira parte menos conseguida, o Esmoriz fez uma segunda parte de luxo e viu a sua prestação coroada de êxito…a dobrar.
Numa jornada perfeita, o Esmoriz não só venceu mais um jogo (e já lá vão 7 vitórias consecutivas em casa) como ainda viu todos os seus perseguidores perderem pontos – o Beira-Mar perdeu e todos os outros empataram.
O Esmoriz é assim 1º classificado, com 40 pontos, e aumenta para 6 os pontos de vantagem sobre Lamas e S.C.Espinho, ambos com 34 pontos.
Na próxima jornada, o S.C.Esmoriz volta a jogar em casa, no dia 22, pelas 15h, com o Carregosense.
Texto e Foto retirados integralmente da Página Juízo de Bancada (Visite http://juizodebancada.pt/).
Este fim-de-semana as seniores femininas disputaram uma jornada dupla gloriosa, vencendo Ala Gondomar (sábado) e AJM (domingo), dando assim um enorme passo rumo à qualificação para a próxima fase do campeonato nacional – II Divisão.
O primeiro encontro foi no Pav. Nun’Álvares Gondomar, às 19h, com uma vitória do Esmoriz GC por 1-3 (18-25; 19-25; 25-20; 14-25). Não obstante o set perdido, o EGC controlou eficazmente as operações, de maneira que os 3 pontos nunca estiveram realmente em perigo.
Mas o jogo decisivo, já se sabia, seria em Nogueira da Regedoura, diante da AA José Moreira. As adversárias levavam uma vantagem de 2-1 no confronto direto, com todos os jogos a precisarem de uma “negra”, até então.
Este domingo, as atletas do Prof. Leonel Gomes conseguiram quebrar o precedente e, com uma exibição fantástica, o Esmoriz ganhou por 0-3 (20-25; 09-25; 22-25).
Com este resultado a qualificação não está garantida, embora esteja plenamente ao alcance agora que ficou resolvido favoravelmente o duelo contra a AJM. Para a próxima fase passam os dois primeiros classificados. Os Esmoriz segue em 2º, atrás do AAS Mamede.
O próximo jogo será dia 22 de janeiro, às 16 horas, em casa, diante do líder AAS Mamede.
Notícia e Foto retiradas da Página Oficial do Esmoriz Ginásio Clube
Nota-extra - Nos seniores masculinos, o EGC perdeu por 3-1 na deslocação ao reduto do campeão nacional Fonte Bastardo. Ainda assim a equipa termina a primeira volta da I Divisão Nacional de Voleibol numa sensacional quinta posição.
Rúben Pinto, jovem de 15 anos, estudante na Escola EB 2/3 Sá Couto em Espinho, foi colhido por um comboio Alfa quando atravessava a linha junto ao apeadeiro de Carvalheira-Maceda. O jovem ia apanhar o comboio para ir para a escola. Com morte imediata, os Bombeiros Voluntários e a GNR de Esmoriz já nada puderam fazer quando chegaram ao local.
A circulação na Linha do Norte esteve condicionada por algum tempo, registando-se atrasos em vários comboios à passagem pelo local do acidente.
Apesar de ainda não existir qualquer posição oficial, já se começam a registar algumas movimentações e sondagens para a constituição de uma potencial lista independente que deverá assim avançar para as eleições autárquicas de Ovar.
Um grupo de cidadãos vareiros parece estar descontente, não só com o actual executivo, mas também com a oposição existente em Ovar. De acordo com este núcleo, Ovar é uma cidade parada em termos comerciais que necessita de recuperar actividade e dinamismo. Além disso, estes cidadãos defendem uma maior preservação do património, nomeadamente ao nível dos azulejos e dos edifícios históricos. Também o avanço marítimo registado no Furadouro é encarado como deveras preocupante, pelo que se exige a tomada imediata de deliberações concretas.
Essa potencial lista deverá aglutinar pessoas de diversas tendências partidárias que desejam imprimir novos caminhos para a sede de município e até para as restantes freguesias do concelho.
Algumas destas individualidades não se revêem na evolução verificada nos últimos 10 anos, e argumentam que, nem o executivo nem a oposição, conseguiram trazer mais vida à cidade, muito devido à limitação de medidas que promovam a captação de investimento exterior.
Não sabemos se efectivamente este grupo irá assumir oficialmente a sua candidatura, embora essa hipótese esteja a ser realmente ponderada pelos seus responsáveis, cujos nomes poderão ser conhecidos em breve, caso confirmem as suas intenções.
Imagem nº 1 - Uma Lista Independente poderá surgir em breve, propondo um projecto alternativo para Ovar e restantes freguesias do concelho.
É porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros
abaixo de todos os rios.
Sabendo receber, tornou-se grande.
Se quisesse ser o primeiro, centímetros acima de todos os rios,
não seria mar, mas sim uma ilha.
Toda sua água iria para os outros e estaria isolado.
A perda faz parte.
A queda faz parte.
A morte faz parte.
É impossível vivermos satisfatoriamente.
Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber viver.
Se aprenderes a perder, a cair, a errar, ninguém mais o controlará.
Porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder.
E isto você já sabe.
Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade
o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte.
Paulo Roberto Gaefke
Escritor Brasileiro
Este poema de Paulo Roberto Gaefke não foi escolhido por acaso, porque estabelece uma relação íntima entre o Homem e o Mar, congregando invariavelmente os aspectos mais positivos ou negativos dessa mesma ligação.
É impossível traçar a história de Esmoriz sem estudar a relação que as suas comunidades mantiveram, ao longo dos tempos, com o mar (Oceano Atlântico) que então as banhava.
Por um lado, podemos afirmar que esse mar foi parceiro ou aliado dessas comunidades, "matando a fome" em épocas verdadeiramente terríveis. Através de inúmeras técnicas (uma delas fora, sem dúvida, a Arte Xávega), os nossos pescadores acediam a uma variedade de peixes, nomeadamente sardinhas, sargos, robalos, cavalas, carapaus, fanecas...
Muitos dos equipamentos (casos das alfaias e redes) que os nossos "lobos do mar" utilizavam para a actividade piscatória eram depois armazenados nos palheiros construídos em cima do extenso areal que outrora chegou a vislumbrar-se. Em dias de mar bravo, seria natural que muitos dos pescadores procurassem exercer a sua actividade na Barrinha de Esmoriz, noutros tempos, rica em enguias, solhas, tainhas, linguados, lampreias e solhas. Aliás, até chegara a existir ali um cais, e até antes, no século XIII, as inquirições de D. Dinis referem mesmo a existência de um porto medieval que deveria albergar pequenas e médias embarcações.
Imagem nº 1 - Um grupo de pescadores lança-se ao mar em Esmoriz no ano de 1988.
Galeria de Imagens - "Esmoriz Antigo" (Joaquim Fernando Reis)
O mar não tem sido apenas aliado no âmbito do "abastecimento alimentar". Nos últimos séculos, é impossível negar que a sua existência tem constituído um dos factores determinantes para o potenciamento de uma maior dimensão turística, atraindo assim mais investimento exterior à nossa terra. Se Esmoriz fosse uma terra a gravitar isoladamente no interior do país (sem ter acesso sequer a qualquer rio de grandes proporções), então provavelmente, a história que havia sido escrita seria certamente muito diferente. Como assim não o é, a Praia da Barrinha, a Praia do Cantinho e a Praia dos Pescadores (agora muitas vezes denominada, na gíria popular, como Praia Velha) agradecem, e os seus veraneantes (provenientes dos vários cantos do país e até do estrangeiro) também!
Imagem nº 3- O mar é ainda uma fonte de receita turística, dado que confere vida, movimento e dinamismo à cidade de Esmoriz durante cada Verão.
Foto da nossa autoria
Mas o nosso mar infelizmente nunca escondeu a sua faceta bipolar. Se muito pode oferecer, também muito pode tirar sem evidenciar qualquer sentimento de misericórdia! Quantas vidas de pescadores não foram engolidas pelas suas gigantes ondas? Quantas famílias ficaram "orfãs" do seu chefe de família? Quantas crianças cresceram sem pai? É impossível quantificar o número de esmorizenses que pereceram no mar. Acreditamos que essa estatística poderá ascender aos milhares, se tivermos em conta os últimos 8 séculos. Claramente assustador!
Os historiadores afirmam também que esse mar foi hóspede, em tempos mais remotos, de uma série de visitantes indesejados que não hesitaram em saquear, violar e assassinar vários núcleos familiares que faziam a sua vida pacífica nas zonas litorais norte e centro. Muitos dos habitantes eram raptados e depois vendidos como escravos em sítios longínquos. Outros tinham mais sorte, e ainda eram resgatados a tempo, caso a família lograsse reunir rapidamente os bens ou os géneros necessários para recuperar o seu familiar querido. Durante a Idade Média, não faltaram certamente relatos de depredações cometidas por parte de vikings e piratas berberes que, no nosso areal, também derramaram sangue! Aliás, existe um lugar em Esmoriz apelidado de "Turquia", designação toponímica que não achamos ser fruto do acaso (embora a história esteja possivelmente relacionada com a actuação de piratas de naturalidade essencialmente magrebina que desembarcaram na nossa praia no decurso do século XVIII e que foram logo capturados pelas autoridades de então).
Imagem nº 4 - Os Vikings foram senhores dos mares durante a Alta e a Plena Idade Média. Julga-se que terão inclusive alcançado as margens do Canadá por volta do ano 1000. Responsáveis por várias incursões, repletas de violência, os normandos semearam o caos pelos litorais dos reinos europeus.
Sem esconder a sua fúria, o mar ameaça também os domínios terrenos, e aos poucos, vai recuperando territórios que outrora foram seus. Em Esmoriz, o seu avanço já foi causa de destruição de edifícios e palheiros. Sabemos ainda que, nos primórdios do século XX, este mar bravo não teria clemência perante a casa da guarda fiscal ou a antiga Capela do Nosso Senhor dos Aflitos (ou antiga Capela da Praia).
Mas a história do avanço marítimo é mais antiga do que se julga e aqui recorremos à memória que foi partilhada pelo Padre Aires de Amorim na sua obra "Esmoriz e a sua História".
No século XVII, Esmoriz detinha uma imensidão de areal. Por exemplo, em 1657, existiam inclusive campos de cultivo cobertos com areia. No entanto, esta realidade começa a mudar a partir do século seguinte. Em 1764, sabemos que o marco entre Ovar e Cortegaça teve que ser trasladado mais para nascente (trinta e oito varas), afastando-se assim do perigo de ser ameaçado pelas águas.
O problema começou a ser encarado com alguma atenção. Dentro deste contexto, foram promulgados alvarás que procuraram promover a criação de pinhais à beira-mar, com o intuito de oferecer maior resistência ao avanço marítimo. No entanto, esta legislação não foi aplicada devidamente, e o próprio povo desinteressou-se até de lançar sementes nos areais. As consequências não poderiam ser piores a breve ou médio prazo.
Efectivamente, o século XX foi um período muito mais crítico. Foi nesta altura que o mar derrubou pequenos edifícios e comprometeu a existência da antiga Capela da Praia e da Casa da Guarda Fiscal. Entre os anos compreendidos entre 1905 e 1931, um antigo pinhal acabaria por ser gradualmente engolido pelo mar. Em 1907, cinco esmorizenses compareceram numa sessão da junta de paróquia, demonstrando o seu desagrado ao alegar que o mar lhes havia furtado os seus terrenos.
Em 1931, os Serviços Florestais finalmente tomam uma atitude e procedem à sementeira do penisco nos areais, mas esta era uma acção que já pecava por tardia e os seus efeitos não viriam a ser tão eficazes.
No ano de 1977, o Restaurante Barrinha é seriamente ameaçado e tiveram mesmo que ser colocados pedregulhos para a sua protecção. Em 1978, a Câmara Municipal de Ovar investiu 4.000.000$00 para assegurar a defesa das suas praias. E decerto que esse investimento se tem avolumado ainda mais até aos dias de hoje. Foram milhões e milhões despendidos neste combate inglório contra o mar!
De facto, o mar ganha cada vez mais força e dimensão com o aquecimento global que provoca o derretimento das calotas glaciares. Como se não bastasse, o próprio Ser Humano contribuiu para este drama, erguendo construções ridículas em cima da frente marítima, favorecendo o fenómeno nocivo da erosão costeira.
Não sabemos que futuro estará reservado à cidade de Esmoriz. Será que daqui a trezentos ou quatrocentos anos esta ainda existirá esta terra? Ou já fará parte da lista de urbes submersas que afinal não é assim tão restrita em termos históricos? Ou poderá a Ciência arranjar até lá uma solução inovadora que permita assegurar o equilíbrio actual?
O que é certo é que cá não estaremos para saber dar a resposta, embora não estejamos muito optimistas porque o rumo recente da Humanidade não tem vindo a ser nada assertivo.
Imagem nº 5 - A antiga Casa da Guarda Fiscal em Esmoriz foi derrubada pela fúria marítima.
Galeria de Imagens - "Esmoriz Antigo" (Joaquim Fernando Reis)
Imagem nº 6 - Veja-se o impacto desta onda sobre o paredão da Praia Velha em Esmoriz. O nível das águas tem vindo a aumentar a nível mundial devido ao aquecimento global.
Foto da autoria de Arménio Moreira
Em jeito de síntese, o mar foi messiânico para o povo de Esmoriz porque, como referi anteriormente, "matou a fome" a muita boa gente. E compreende-se a intenção dos nossos párocos em benzê-lo anualmente por altura das festas em honra do Nosso Senhor dos Aflitos e de Nossa Senhora da Boa Viagem. Os esmorizenses sempre fizeram a sua vida de mãos dadas com o mar. Ali está a sua história bem como as suas raízes de coragem e heroísmo.
No entanto, esse mesmo mar também pode revelar os seus instintos mais trágicos ou tenebrosos, ceifando impiedosamente vidas humanas ou reduzindo as suas modestas propriedades a ruínas.
Todavia, Esmoriz vê no seu Mar "um irmão inseparável" que, embora não sendo sempre leal, é imprescindível ainda hoje para o seu crescimento.
E muito temos nós a aprender com ele...
Imagem nº 8 - A Arte Xávega foi uma das maiores expressões que particularizam a ligação do Homem ao Mar. Estamos aqui perante uma forma tradicional de pesca, na qual um grupo de pescadores num barco a remos lança as redes, para cercar os cardumes, puxando aquelas mais tarde para a praia, com a ajuda de bois.
Foto da Embarcação "Mar de Esmoriz" da autoria de Normando Ramos
Vídeo nº 1 - Manancial de imagens sobre a Arte Xávega em Esmoriz.
Retirado do Youtube
Partilhado por Joaquim Fernando Barbosa da Fonseca
Vídeo nº 2 - Reportagem da SIC que tenta abordar um pouco sobre a história dos nossos "lobos do mar". Música de fundo de Leandro Cruz.
Olhando para a realidade actual, tudo parece apontar para um "passeio" dos eleitos em 2013 pelo PSD nas próximas eleições autárquicas de 2017, tanto em Esmoriz como em Ovar.
Por um lado, é imprescindível reconhecermos o mérito de ambos os executivos. Na Junta de Freguesia de Esmoriz, e apesar dos limitados recursos financeiros, a equipa liderada por António Bebiano promoveu alguns empreendimentos interessantes - criou e geriu a Universidade Sénior de Esmoriz, dinamizou as festas da cidade com o memorável Arraial da Barrinha, interveio na pavimentação de algumas ruas, promoveu encontros de urbanismo, inaugurou o átrio na Junta de Freguesia para eventos culturais (nomeadamente exposições ou tertúlias), criou gabinetes de apoio psicológico e de incentivo ao emprego. Ou seja, podemos afirmar inequivocamente que este executivo tem trabalhado bem. É verdade que, nos últimos tempos, parece ter estado um pouco parado, mas o balanço destes quatro (ou cinco!) anos é claramente positivo.
No entanto, se o mérito é claro do actual executivo encabeçado por António Bebiano, também não é menos verdade que a oposição desilude em Esmoriz. E isso também me preocupa. Sem uma oposição activa ou interventiva, a cidade terá mais entraves ao seu crescimento. Contaram-me que, nas últimas assembleias de freguesia, a bancada da oposição tem-se remetido a um silêncio que considero, com todo respeito, incompreensível e prejudicial. Não nos podemos esquecer que todos os "deputados" da nossa assembleia recebem um apoio de 15 euros por cada sessão, e esta espécie de "black-out" não é a melhor forma de defenderem os interesses da cidade, mesmo que existam divergências profundas com o actual executivo. Por outras palavras, espero muito sinceramente que, nos próximos sete ou oito meses, se possam esgrimir argumentos e projectos, porque isto nos últimos tempos tem estado muito fraquinho. Esmoriz precisa de um bom executivo (que até já tem!), mas também necessita de uma oposição que saiba afirmar-se e debater o futuro da cidade. Aliás, a oposição que é feita em Esmoriz, nem sempre da forma mais diplomática ou politicamente correcta, é apenas exercida por dois ou três cidadãos que comparecem na plateia da assembleia, sem qualquer representação partidária.
Em Ovar, a história não é muito diferente. Como já uma personalidade bem conhecida de Ovar já havia afirmado anteriormente, Salvador Malheiro reinou à vontade nos últimos tempos. Por um lado, voltamos à questão do mérito. O edil concretizou o projecto do Bairro Social na Praia de Esmoriz, pressionou para que as obras arrancassem finalmente na Barrinha de Esmoriz, fez rejuvenescer a Praça dos Combatentes do Ultramar em Esmoriz, procedeu à repavimentação de várias vias na zona nascente da cidade, garantiu que iria reabilitar o Esmoriztur, apostou na requalificação da sede de freguesia de Cortegaça, ergueu um monumento aos combatentes do Ultramar em Ovar, lançou o Orçamento Participativo de forma a envolver a comunidade nas questões da cidadania, etc.
Se nos parece ser consensual o seu bom trabalho à frente da autarquia, também não é menos verdade que o Presidente da Câmara não me parece ter resolvido bem alguns dossiers, como por exemplo o do Cine-Teatro de Ovar ou o caso actual dos plátanos centenários de Cortegaça (cuja transplantação poderá ser um desastre). E aqui aproveito também para dirigir as culpas para os partidos da oposição porque a sua passividade tem sido uma realidade. No caso concreto da transplantação forçada dos plátanos centenários (no âmbito das intervenções a decorrer no Largo do Campo), custa-me a compreender como é que os partidos ditos amigos do ambiente (PCP, Verdes e BE) não tomaram ainda uma posição verdadeiramente activa. Estarão distraídos? Lá está, tem de ser sempre uma minoria de cidadãos (sem conotações partidárias) a tomar a dianteira e a fazer a verdadeira oposição.
O PS tem dois bons presidentes de freguesia neste concelho vareiro - Jaime Almeida em Válega e Bruno Oliveira na União de Freguesias de Ovar, mas será um risco enorme deslocá-los para uma candidatura à Câmara Municipal de Ovar, ao invés de cumprirem um terceiro e segundo mandatos respectivamente (partem como favoritos para os respectivos sufrágios) à frente das suas freguesias. Os nomes de Manuel Oliveira e Armando França, condecorados recentemente pela autarquia, seriam apostas credíveis e até sonantes, mas parece-nos improvável o seu regresso às lutas políticas concelhias, onde já estiveram por vários anos. Não sobram assim muitas opções, e o tempo não joga a favor do principal partido da oposição em Ovar.
Apenas o CDS-PP parece ser, neste momento, a única força que não hesita em propor desafios e a efectuar críticas, sempre que considere convenientes, ao actual executivo municipal. Aliás, o partido centrista já apresentou os seus candidatos - Filipe Marques Gonçalves à assembleia municipal, Fernando Almeida procura avançar para o executivo municipal, e Carlos Alexandre será o candidato do partido à Junta de Freguesia de Esmoriz. Esta estratégia de planeamento antecipado parece-nos prudente e assertiva, e poderá permitir ao partido um crescimento que permita ao referido partido obter finalmente representação em ambas as autarquias. Mas de resto, mais nenhum partido da oposição apresentou os seus candidatos e os seus projectos, e isso preocupa-nos, pelas mesmas razões que já elencamos em cima. Quanto mais tarde avançarem, cada vez mais fica na retina a ideia de que o PSD de Salvador Malheiro irá alcançar facilmente a maioria absoluta em 2017. No entanto, gostaríamos também de ouvir o presidente da Câmara a garantir publicamente que, anunciada a sua recandidatura, se compromete a cumprir o próximo mandato até ao fim, caso seja eleito. Isso será determinante para questões de estabilidade e honestidade democrática.
Espero que 2017 seja bem diferente face aos anos anteriores, e que todos possam lançar e debater novos projectos porque isso é essencial para o futuro das terras em questão. Caso contrário, isto tornar-se-à monótono, e sem a riqueza derivada do afluir das ideias, o mais natural é isto ficar uma verdadeira pasmaceira, o que decerto não favorecerá a nossa visibilidade no exterior.
É necessário também envolver os mais jovens nestas questões. Muitas vezes, a sua criatividade e imaginação ajudam a fazer a diferença.
Imagem nº 1 - Serão as eleições autárquicas de 2017, um passeio para os actuais presidentes da Junta de Freguesia de Esmoriz e da Câmara Municipal de Ovar? Ou haverá surpresas?