Sinceramente, desconhecia a existência dum 3º mini-jornal em Esmoriz. Pensava mesmo que só existiam o Jornal Voz de Esmoriz (Direcção de Carlos Alexandre) e o Malho Tanoeiro (Direcção de Florindo Pinto) mas, pelos vistos, temos ainda o "Esmoriz (Barrinha) em Foco", de distribuição mensal. Este interessante folheto é da responsabilidade da Associação Ambiental e de Lazer de Esmoriz (A.A.L.E.), destacando-se mais uma vez, a participação de Florindo Pinto (e algumas recolhas de textos antigos da autoria de José Sá Ferreira).
Recentemente saíram duas edições deste folheto para Julho e Agosto respectivamente.
Na edição de Julho de 2012, a Câmara Municipal de Ovar é criticada, pela inércia que tem demonstrado ao longo dos anos, sobre o dossier da Barrinha. Devido a este longo impasse, a nossa lagoa "deixou de constar do roteiro turístico da Câmara de Ovar".
No folheto de Agosto, o maior destaque vai para a inauguração da Casa Mortuária junto à Capela da Praia. Também se fala da história da actual Capela da Praia e da Antiga Capela da Praia que hoje se encontra absorvida pelo mar. No meio desta última edição, encontramos ainda um poema interessante sobre a Barrinha da autoria de Saúl de Oliveira que passamos a transcrever:
"Minha Barrinha"
(Poema de Saúl de Oliveira)
Minha Barrinha querida;
Lugar de tanta poesia;
Não posso passar a vida,
sem sentir tua magia.
Tens o sol-pôr brilhante;
Magia que é só tua.
Tens brilhos de diamante
Com a casta luz da lua.
Tens perfume a maresia,
Duma tal delicadeza,
Que por vezes dir-se-ia;
Seres beijo da natureza.
Por caminho, tens areias;
Brancas, finas, sequiosas;
Onde as lindas dulcineias
Se espreguiçam, preguiçosas.
É que as tuas delícias,
De noiva, sempre a noivar,
Tema as mais ternas carícias,
Sempre prontas p'ra lhes dar.
Depois deste lindo poema, é óbvio que o Cusco de Esmoriz procurou também demonstrar a sua costela poética e por isso, elaborou o seguinte poema:
"Barrinha do Meu Coração"
(Poema da autoria do Cusco de Esmoriz)
No passado, era uma lagoa magnificente,
Atraía Pescadores e Agricultores
Que necessitavam dos seus favores
Para viverem decentemente
Assinalada nas Inquirições do rei D. Dinis,
Detinha um porto medieval
Que forneceria apoio à causa naval,
Possuidora de águas calminhas,
Cativava inúmeros visitantes
Nos dias mais escaldantes,
Encantando as demais criancinhas.
As aves coloriam o seu céu
Os peixes mostravam a sua irrequietude
Enquanto que a diversa flora era uma espécie de véu
Deste belo espaço da juventude.
Contudo, o Homem não a preservaria,
Com a sua típica ingratidão
Trouxe consigo a indesejável poluição
Bem como actos de patifaria.
A Barrinha foi abandonada,
E, pior do que tudo, discriminada
Pelo ser humano desrespeitador
Que afinal não passa dum traidor.
As aves mantêm a sua lealdade,
Os peixes, apesar de tudo, procuram aí sobreviver,
Mas os homens ignoram qualquer laço de fidelidade,
E não têm noção daquilo que estão a perder.
Imagem nº 1 - As aves ainda mantêm lealdade à Lagoa, nunca a abandonando, nem sequer nos tempos mais difíceis. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer do ser humano.
Fotografia da autoria do Cusco de Esmoriz