sábado, 14 de março de 2015

Movimento Civíco Pró-Barrinha exige a concretização imediata e consistente do projecto de reabilitação da Barrinha


Ao que tem sido veiculado na comunicação social, por comentários do Ministério competente e pelo que nos foi oficialmente apresentado, é desta vez que serão realizadas as obras tão desejadas e propaladas da requalificação da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos.
Sim, mas realmente quando?
As intervenções projetadas, segundo o que nos foi dado consultar, são muitas e variadas, naturalmente importantes, de interesse tão ambientalista como turístico.
Verdade é que na luta que este MCPB tem exercido desde o ano 2000 que provocou a vinda dos então 1º Ministro e Ministro do Ambiente, António Guterres e José Sócrates, fomos iludidos, ou enganados, e só mais tarde, no Governo de Durão Barroso, foi feita a candidatura a Bruxelas já com perda de cerca de 20% do apoio europeu. Então foi extinta a Etar de Esmoriz/Cortegaça, construída em seu lugar uma estação elevatória, mais outras em localidades limítrofes e construídas condutas para transportar os efluentes industriais e domésticos para a Etar de Paramos entretanto aumentada e modernizada.
A poluição da Barrinha diminuiu bastante, sim, mas falta ainda muito para ser considerada limpa.
Face ao projeto em curso e às promessas, em que acreditamos, sugerimos e pedimos veementemente o avanço imediato do seguinte:
- Construção da Ponte sobre a Barrinha entre Esmoriz e Paramos (que já existiu, havendo apenas os seus alicerces) e respetivos passadiços de ligação de ambos os lados;
- Providenciar pelo exercício da Autoridade necessária para a eliminação das fontes poluidoras industriais e domésticas.
Esperamos contudo que o projeto em causa tenha bem em conta a riqueza da fauna e da flora sem a prejudicar.


MOVIMENTO CÍVICO PRÓ BARRINHA

segunda-feira, 9 de março de 2015

Precipitação Presidencial...

Cavaco Silva tem sido um presidente pouco interventivo. Muito sinceramente, já o disse aqui e volto a repeti-lo, esperava que o responsável máximo da nação falasse mais aos portugueses e não tivesse qualquer tipo de receio em enviar recados à classe política. O problema é que, apesar da crise que assolou o país nos últimos 5 anos, o Presidente da República Portuguesa optou preferencialmente pelo silêncio. E lamentei bastante que isso tivesse acontecido.
Eu já nem vou abordar aquela declaração surreal do presidente sobre a sua reforma, o que aconteceu aqui há uns anos atrás e que já caiu praticamente no esquecimento dos portugueses. Contudo, o Presidente da República voltou a usufruir da palavra recentemente, desta vez, para resumir a história da dívida de Passos Coelho à Segurança Social, categorizando a situação como fruto da campanha pré-eleitoral e das lutas político-partidárias. 
Se é verdade que este acontecimento está a ser utilizado como arma de arremesso pelos partidos adversários contra Pedro Passos Coelho, isso não é motivo suficiente para ocultar os outros prismas de observação que fazem igualmente todo o sentido. O primeiro-ministro não pagou as contribuições que devia à Segurança Social entre 1999 e 2004 (cinco anos!), é certo que as regularizou posteriormente (o que atenua a sua culpabilidade), contudo o que aqui está em causa é a diferença de tratamento. Fosse um cidadão comum (e isso é extremamente fácil de comprovar através de milhares de testemunhos que passaram por casos iguais ou semelhantes) era logo intimado, sob pena de penhora e juros, a pagar a dívida à Segurança Social e não haveria lugar a prescrições nem a perdões de dívida como aconteceu com o primeiro-ministro português. Sim, é isto que me choca. Eu bato-me por um país mais justo e igualitário. E por isso, desvalorizar este caso é um erro, pois estes casos têm de ser divulgados de forma a que se proceda à correcção posterior. Não pode haver portugueses de primeira e portugueses de segunda. O sistema tem de ser credibilizado!
É claro que também considero um exagero pedir-se a demissão de Pedro Passos Coelho. A infracção é grave, sem dúvida, mas nunca ao ponto de justificar a queda dum governo constitucional e até porque as eleições estão mesmo aí à porta. Contudo, abafar esta história e tentar classificá-la como mera campanha eleitoral é um erro crasso de quem deve, em primeiro lugar, defender os interesses de todos (repito todos) os portugueses. 
Para muitos, Cavaco Silva terá evitado uma crise política ao segurar este governo até ao fim, mas por outro, terá desempenhado um papel secundário, tornando-se numa sombra, e não na luz que o país precisava, durante o intenso nevoeiro que se abateu sobre o país nos últimos anos.
O próximo Presidente da República tem de ser mais activo e revelar a coragem necessária para afrontar ou advertir aqueles que, por vezes, saem da linha, sejam eles de que partido forem...




Imagem nº 1 - Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, deveria ter sido mais interventivo.

Grupo de Teatro Renascer apresentou projecto cultural - "Vi(r)ver Teatro"

Neste passado sábado à noite, o Grupo de Teatro Renascer apresentou duas comédias que levantaram várias gargalhadas e aplausos na plateia que se fez evidenciar no auditório do Antigo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Esmoriz. A primeira peça apresentada é recente, estreou-se no passado festival e chama-se "Entre Anjos e Rosmaninho" e tem feito furor dado o enredo bem elaborado. Já a segunda encenação - "A Doença do Tótó" conhece uma existência anterior e explorou sobretudo os desentendimentos entre as mais diversas personagens. 
João Gomes agradeceu a presença dos espectadores (mais de 50/60 ao todo!) que, por seu turno, saudaram, em pé, mais um serão teatral onde reinou a boa disposição. O presidente do Renascer elogiou o afinco da sua extensa equipa, e recordou ainda que o projecto agora iniciado -"Vi(r)ver Teatro" - consistirá na apresentação duma peça por cada mês na cidade de Esmoriz, de modo a tentar cativar a comunidade para a magia do teatro. Sabe-se ainda que para a semana, o Grupo de Teatro Renascer irá actuar, por convite, em Proença-a-Nova. 
Por fim, não podemos deixar de ressalvar a intervenção final de Salvador Malheiro, Presidente da Câmara Municipal de Ovar, que prometeu novidades, muito em breve, em relação à reabilitação do Esmoriztur, uma casa que todos nós queremos ver recuperada. O edil agradeceu ainda o prémio que foi entregue pela colectividade que visava homenagear a instituição do ano transacto de 2014, voltando a elogiar o trabalho meritório e prestigiante do Renascer.




Imagem nº 1 - O Grupo de Teatro Renascer continua a promover com brio a cultura portuguesa.
Foto: Câmara Municipal de Ovar

A Limpeza da Praia de Esmoriz juntou dezenas

Muito graças à colaboração empreendida entre membros da escola de surf - "Barrinha Surf School", escuteiros do Agrupamento 871 e bombeiros de Esmoriz, foi possível emprestar outra imagem (bem mais animadora) à praia de Esmoriz. 
Efectivamente, procedeu-se à remoção duma elevada quantidade de entulho ou lixo que abundava na zona, valorizando assim a importância da preservação ambiental e dum dos cartões de visita da cidade de Esmoriz.
Este gesto merece, desde já, o nosso sincero reconhecimento, e deve ser seguido como um modelo exemplar.
As fotos que se seguem foram partilhadas por João Soares na página do Agrupamento 871 - Escuteiros de Esmoriz na rede social do Facebook.







Esmoriz Ginásio Clube despediu-se da Taça de Portugal nos quartos-de-final

O Esmoriz Ginásio Clube foi uma das 8 equipas que disputou em Santo Tirso as últimas rondas da segunda maior prova do escalão nacional - a Taça de Portugal. Contudo, a turma esmorizense foi logo eliminada nos quartos de final pelo CA Madalena que venceu por 3-0 em sets. A prova viria a ser conquistada pelo Benfica que derrotou na final o Sporting Clube de Espinho também por 3-0 em sets.
As atenções voltam a estar agora canalizadas para o campeonato, onde o Esmoriz Ginásio Clube procura assegurar a manutenção entre os grandes desta modalidade.




Foto extraída do Perfil do Esmoriz Ginásio Clube no Facebook

sexta-feira, 6 de março de 2015

Os amigos (improváveis) da abstenção!








A política de cariz democrático é um mal necessário, é o que nos separa da anarquia ou dum regime tirânico ou totalitário. A participação popular, consubstanciada pelo exercício do voto, é tida como um dos pilares fundamentais da liberdade de expressão. Todavia, estas verdades a la Palice perdem parte da sua pertinência quando a actual conjuntura política está afundada no descrédito.
Comecemos pelo não-pagamento das contribuições do cidadão Pedro Passos Coelho (actual primeiro-ministro de Portugal) para os anos compreendidos entre 1999 e 2004, quando exercia as funções de consultor da Tecnoforma. O visado tratou logo de citar o desconhecimento prévio da situação e queixou-se ainda dos seus detractores estarem a vasculhar a sua vida pessoal. Porém a comentadora Constança Cunha e Sá, em directo no telejornal da TVI, refutou a reclamação do primeiro-ministro, até porque ninguém pode ignorar de que se tratava duma obrigação legal (não devidamente cumprida) diante do Estado Português. É claro que Pedro Passos Coelho regularizou posteriormente a dívida à Segurança Social que entretanto tinha prescrito. Foi sensato e prudente, e esta última atitude atenuou o seu grau de culpabilidade no caso. Contudo, a TVI não se ficou por aqui e emitiu mesmo uma reportagem sobre pessoas que foram surpreendidas com situações semelhantes através de avisos de pagamentos por saldar à Segurança Social. Estes meros cidadãos também se justificaram (mas em vão!) com o desconhecimento da lei e com a não-recepção da devida correspondência documental, mas foram logicamente coagidos, ou pelo menos, obrigados a regularizar, sob pena de penhora imediata, o que estava em falta para com os serviços sociais do Estado. Curioso que aqui já não houve lugar a qualquer prescrição. Sim, esta diferença de tratamento envergonha-me enquanto cidadão português, porque afinal não deveríamos ser todos iguais perante a Constituição? Mas este não foi o único passo errado do primeiro-ministro. Neste âmbito, Pedro Passos Coelho ao apresentar a sua defesa disse que apesar de não ser um cidadão perfeito, afirmou veementemente que nunca enriqueceu à custa dos cargos que desempenhara, numa alusão indirecta mas óbvia a José Sócrates (ex-primeiro ministro que se encontra nos calabouços de Évora; falaremos deste caso mais à frente). Logicamente, viu o seu discurso a ser aplaudido pela plateia que se encontrava na sala, mas provavelmente, não constatou que estava a enveredar por um caminho ousado e pouco construtivo que não se pretende nesta campanha pré-eleitoral que promete ser longa seguramente. A lavagem de roupa suja ou as acusações pessoais afastarão ainda mais as pessoas da actividade política e ninguém poderá cair na tentação perigosa de misturar a política com a justiça. O que todos pretendemos é, sem margem para dúvida, a discussão de programas, projectos e ideias essenciais para o bem-estar do país, e não a revelação dos "podres" dos candidatos que se apresentarem às urnas.
Ainda em relação ao governo de Pedro Passos Coelho, temos de reconhecer, com o devido rigor, que conseguiram apresentar determinadas melhorias no âmbito da economia nacional, algo que até António Costa (principal candidato da oposição) reconheceu diante duma comunidade chinesa. O país está melhor em termos de equilíbrio financeiro e recuperou credibilidade diante dos investidores estrangeiros, mas no panorama social, e apesar da tímida queda da taxa de desemprego (ainda se cifra em números elevados), a verdade é que a miséria se agravou nestes últimos anos. O povo foi chamado a pagar uma elevada factura pela desgovernação que testemunhamos nas duas últimas décadas, e as estatísticas recém-publicadas pela Agência Bloomberg não são ainda nada animadoras. É pois imperioso que o reequilíbrio das contas públicas comece a traduzir-se na melhoria do nível de vida dos portugueses (por exemplo, na diminuição da carga fiscal). O aumento do ordenado mínimo foi, de facto, uma boa noticia, mas são necessárias mais medidas positivas.
Creio que é necessário concluir que o governo de Passos Coelho teve ministros aceitáveis (António Pires de Lima - Ministro da Economia, Paula Teixeira da Cruz - Ministra da Justiça, Assunção Cristãs - Ministra da Agricultura) mas também contou com alguns membros polémicos que estiveram longe de merecer uma consideração positiva por parte da população (Miguel Relvas - ex-Ministro dos Assuntos Parlamentares, Nuno Crato - Ministro da Educação, e Rui Machete - Ministro dos Negócios Estrangeiros...). Ainda em jeito de remate, penso que Portugal se ajoelhou demasiado perante as exigências da Troika, embora admita a importância de algumas medidas pouco populares para inverter o rumo nefasto que o país seguia nos anos derradeiros.
O CDS-PP deverá evidentemente formalizar em breve a sua coligação com o PSD para as próximas legislativas. Os populares foram fundamentais para garantir a coesão e estabilidade do governo. Admito que apreciei a modéstia e o afinco exibidos pelo Ministro da Solidariedade, Trabalho e Segurança Social - Pedro Mota Soares. Todavia, nem tudo foram rosas, e por isso, não deixei de repudiar aquela historieta lamentável da "demissão irrevogável" do vice-primeiro ministro que poderia ter gerado uma crise política desnecessária, e também confesso que me custou a aceitar o arquivamento bizarro do caso dos submarinos (embora este processo nos remeta para outra legislatura).
No Partido Socialista, tem vindo a esfumar-se o optimismo em torno do seu novo rosto máximo - António Costa. Quando este derrotou António José Seguro nas eleições primárias e internas no partido, muitos aclamavam que a sua capacidade galvanizadora iria levar o PS à maioria absoluta, tirando igualmente máximo proveito das políticas impopulares de austeridade levadas a cabo pelo actual governo. As vitórias pirrícas do partido com Seguro tinham terminado, diziam muitos dos apoiantes de Costa. Agora Passos Coelho tinha razões para tremer!!! Contudo, este prisma de observação tornou-se logo num mito rebuscado, aliado ao ressurgimento do descontentamento entre alguns socialistas que esperavam mais de António Costa ao nível da intervenção política. Efectivamente, em nenhuma das sondagens até então apresentadas no decurso dos últimos meses se pode vislumbrar um Partido Socialista próximo da maioria absoluta. Aliás, se a coligação PSD & CDS avançar em conjunto (cenário bastante provável) a diferença entre as duas principais forças políticas é reduzida, para não, dizer ínfima - quase ao ponto de poder haver lugar a um empate técnico. Há membros do partido socialista que começam a desesperar. Manuel Alegre já veio pedir inclusive a demissão de Pedro Passos Coelho porque considera que este "beneficia de absoluta impunidade política". É certo que o primeiro-ministro cometeu um erro grave, mas não ao ponto de justificar a queda dum governo constitucional, já para não relembrar que estamos perto das eleições legislativas, o que torna absurda qualquer eventualidade de demissão. Mas o pior pesadelo do PS aconteceu quando Carlos Alexandre decretou a prisão preventiva de José Sócrates por fortes suspeitas de corrupção; foi quase como uma bomba no interior do partido, visto que a imagem do ex-primeiro ministro estava intimamente associada à história recente do partido. Se ressalvamos, desde já, que este caso não deve ser utilizado na propaganda política (seria mesmo de muito mau gosto se tal acontecesse!), não podemos ignorar contudo que o processo não favoreceu a estratégia do partido, apesar da tentativa posterior de distanciamento (absolutamente compreensível!) dos seus responsáveis máximos em relação a este caso mediático. 
Na minha opinião (vale o que vale - é uma análise subjectiva), os socialistas cometeram um erro crasso ao seguir a linha conservadora, optando por António Costa (esteve sempre muito próximo de Mário Soares e José Sócrates) em detrimento de António José Seguro, o qual poderia assegurar o necessário rejuvenescimento do partido (aliás, há-que renascer transversalmente a forma de fazer política em Portugal!). Contudo, este último, que deu a cara pelo partido nos maus momentos, foi escorraçado com sete pedras e nunca mais se ouviu falar nele. Mário Soares chegou mesmo a arrasar o ex-Secretário-Geral do PS, acumulando outras declarações deprimentes ao longo destes últimos cinco anos. Mas António José Seguro bateu-se por merecer a oportunidade de ir às legislativas, porém não lhe foi confiada a circunstância. Voltando a António Costa, e mais concretamente em relação à presidência que tem exercido na Câmara de Lisboa, também se veicularam algumas polémicas, nomeadamente a cobrança de novas taxas turísticas aos visitantes da capital (parece que depois a Câmara recuou à última da hora e não abrangeu assim na tarifa os cidadãos com residência em Portugal) e a isenção ridícula de taxas urbanísticas a um clube de futebol (tem que se acabar definitivamente com essas simpatias de excentricidade ou proteccionismo perante os três principais clubes nacionais - o dinheiro público deve ser sim investido em questões mais urgentes como a Educação ou a Saúde). Mesmo assim há-que reconhecer que António Costa conseguiu, pelo menos, segurar a vantagem mínima do PS nas sondagens (embora não tenha conseguido, até ver, ampliá-la), o que lhe concede algum favoritismo. Mas para atingir os números que logicamente deseja, terá que mostrar uma maior eloquência e determinação nos discursos que proclamará nos próximos meses e silenciar definitivamente os argumentos dos seus críticos. 
Longe dos dois principais partidos que disputam o poder, temos o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda. Estes podem até conquistar mais votos e assentos parlamentares nas próximas eleições, mas nenhum deles gozará duma popularidade sensacional à semelhança dum Podemos ou dum Syriza, partidos de esquerda que agora se tornaram "colossos" em Espanha e Grécia respectivamente - dois países mediterrânicos afectados curiosamente pela saga da austeridade. Em termos de opinião pública, as suas intervenções são logo rotuladas (sobretudo pelos detractores) de demagogia e populismo, de se restringirem à oposição básica e de não oferecerem um programa "realista" para o país. No Partido Comunista, Jerónimo de Sousa é consensual entre os militantes e simpatizantes, contudo denota sérias dificuldades em convencer seguidores não-comunistas a juntarem-se à sua causa. No Bloco de Esquerda, houve mudanças nos últimos anos ao nível da liderança, mas o entusiasmo que chegou a registar-se inicialmente em torno de Francisco Louçã (um político repleto de transparência e sabedoria que mereceu o meu maior respeito) acabou por se esmorecer, e o partido pode inclusive ser ultrapassado pelo novo partido... de Marinho Pinto! 
Sim, o Partido Democrático Republicano, encabeçado pelo ex-bastonário da Ordem dos Advogados, está agora bem posicionado para eleger deputados para a Assembleia da República. Conta com 4 a 5 % das intenções de voto. O carisma de Marinho Pinto contribui para essa estatística promissora. Trata-se dum homem que não tem medo de dizer o que pensa e que revela enorme frontalidade nos assuntos mais polémicos. Porém também já se afundou em algumas contradições (por exemplo, criticou as elevadas remunerações dos eurodeputados, mas quando foi eleito, não abdicou por exemplo de parte do majestoso salário que viria a auferir), acabando o seu discurso por conter tons de demagogia e populismo, isto de acordo, com a leitura dos seus adversários. 
Em jeito de síntese, a vitória nas legislativas de 2015 será disputada entre o PS (com ligeiro favoritismo) e o PSD&CDS, mas não haverá maiorias absolutas para ninguém, e já há mesmo quem fale num bloco central envolvendo os três partidos que assinaram o Memorando da Troika. 
Neste momento, sinto-me profundamente abalado pela descrença na nossa classe política nacional. Nos últimos tempos, foram vários os casos vergonhosos que me fizeram ainda afastar mais daquilo que deveria ser uma arte de gerir bem os destinos da nação. Pela primeira vez, estou às portas dumas eleições e não sei em quem votar. Confesso que não detenho qualquer convicção nem inclinação partidária para as legislativas que se avizinham. Estou bastante desiludido com os partidos portugueses. Faço minhas as palavras que Florbela Espanca uma dia proferiu na sua correspondência: "A respeito de política (...) eu continuo a não ter fé em ninguém e a achar todos os mesmos."
Facto é que o país continua a viver bem de perto os fenómenos de corrupção, nepotismo, cunhas, tráficos de influência, elevado desemprego, emprego precário... Não posso estar satisfeito, e penso que é legítimo pedir mais! Mas como fazê-lo?
A minha indecisão reside agora em juntar-me aos números assombrosos e hegemónicos da abstenção, ou se irei acordar muito bem disposto no "grande" dia da eleição, e depois de tomar um café inspirador, talvez aproveite a boleia para dar um salto às urnas, mas sem obviamente recorrer a qualquer caneta ilusória. 


Artigo de opinião

Correio dos Comunicados Políticos - PCP Ovar apresenta moção contra municipalização da educação


 Comissão Concelhia de Ovar


Nota de Imprensa: PCP apresenta moção contra municipalização da educação


A Comissão Concelhia de Ovar do PCP alerta para o preocupante processo de municipalização da educação (eufemisticamente denominado "descentralização de competências") desenvolvido pelo governo PSD/CDS.
O Decreto-Lei 30/2015 sobre descentralização de competências recentemente aprovado constitui-se, no seu objectivo e fins, num processo de delegação de competências a concretizar através de contratos inter-administrativos a celebrar com as autarquias que aderirem em áreas de grande complexidade (educação, saúde, segurança social e cultura), não separado da estratégia de destruição de políticas públicas e funções sociais do Estado que os governos há muito prosseguem.
O Governo tem vindo a negociar com algumas câmaras municipais este tipo de contratos, num processo muitas vezes envolvido em grande secretismo, sem ouvir sindicatos e organizações de professores, o Conselho das Escolas, organizações de dirigentes escolares ou a própria Associação Nacional de Municípios Portugueses.
Acresce a posição preocupante da CIRA, que já assumiu em comunicado o seu interesse neste modelo proposto pelo Governo, confirmando-se já que será uma das regiões a implementar o programa-piloto.
Se se concretizarem os objectivos do governo, serão transferidas para os municípios e sem o adequado envelope financeiro uma série de responsabilidades em matéria de educação que terão como consequências a limitação do carácter universal e gratuito do sistema de ensino, o ataque à dignidade da carreira docente, a instituição de novos encargos para autarquias já asfixiadas financeiramente, a degradação e abre a porta à privatização de funções educativas. 
Tendo isto em conta, o PCP apresentará, já na próxima sessão da Assembleia Municipal, na próxima sexta-feira 27 de Fevereiro, uma moção visando rejeitar responsabilidades relativas à transferência de competências para o poder local no Município de Ovar (municipalização) na área da educação, que são constitucionalmente da responsabilidade do Governo. 
Ao mesmo tempo, apela à mobilização da população, em especial os professores, estudantes, funcionários e encarregados de educação, contra este processo incompatível com a autonomia do Poder Local e que aprofunda a sua subordinação a interesses e políticas que lhe são estranhas.

Ovar, 24 de Fevereiro de 2015
A Comissão Concelhia de Ovar do PCP