segunda-feira, 18 de julho de 2016

Considerações sobre Nice e Turquia

Um atentado terrorista em Nice, ocorrido no dia 14 de Julho (feriado nacional em França devido às comemorações da Tomada da Bastilha), causou 84 mortos. Um jihadista tunisino, Mohamed Lahouaiej Bouhlel, pegou num camião frigorífico e atropelou um mar de gente à beira-mar, incluindo inúmeras crianças. O atentado cruel já foi reivindicado pelo Estado Islâmico. É curioso que a União Europeia e o Ocidente em geral ainda não aprenderam nada com os atentados de Paris e Bruxelas. O Estado Islâmico, apesar de se encontrar mais debilitado, continua a existir, e infelizmente, já dispõe de ramificações ou células no interior da Europa. Neste ponto, voltamos a perguntar - a quem é que interessa a existência do Estado Islâmico? Existirão mesmo interesses relacionados com o armamento e o petróleo que impedem a extinção imediata daquele califado terrorista? A quem interessa a manutenção do conflito atroz na Síria? O que é que a ONU e a UE andam a fazer no meio disto tudo? São perguntas que têm de ser feitas. Na nossa opinião, já há muito tempo que se justificava a entrada de uma força internacional de paz (os célebres "capacetes azuis") na região. No entanto, continua-se a seguir apenas a política dos bombardeamentos cirúrgicos que, apesar de enfraquecerem o inimigo, não o eliminam. 
Falta firmeza política aos líderes ocidentais que infelizmente se encontram demasiado empenhados nas matérias financeiras, ignorando o mundo que os rodeia.




Foto - REUTERS/Eric Gaillard



Na noite do dia seguinte ao atentado hediondo verificado em França, irromperia uma tentativa de golpe de estado na Turquia, essencialmente testemunhada nos pontos nevrálgicos das cidades de Ancara e Istambul. Os militares que alegadamente pretendiam instaurar um regime mais laico/secular e democrático foram travados pela resistência popular e pela polícia pró-Erdogan. Ao todo, já se contabilizam, neste preciso momento, mais de 300 mortos, nos conflitos travados entre soldados, polícias e civis. 
Por um lado, é verdade que, se o golpe de estado fosse bem sucedido, poderia ocasionar uma guerra civil semelhante à da vizinha Síria. Uma Turquia absolutamente instável tornar-se-ia num alvo bastante apetecível para os extremistas e terroristas. No entanto, o presidente turco Recep Erdogan, visto como grande vencedor deste braço-de-ferro, está longe de ser considerado um democrata, mesmo tendo sido eleito num sufrágio minimamente transparente. O líder turco já começou a fazer uma limpeza no Exército e na Justiça, mandando fazer detenções (já vão em 6 mil!) para todos os gostos. Recordamos que, nos últimos tempos, muitos órgãos de comunicação social tinham sido encerrados só porque estavam presumivelmente conotados com a oposição ao regime. Mais grave ainda, Erdogan está disposto a reintroduzir a pena de morte para castigar os responsáveis pelo golpe de estado, e para isso, conta agora com a colaboração de uma Justiça perfilada a seu gosto. Não será por isso difícil ignorar ou desmontar o facto deste golpe de estado ter ocorrido num enquadramento legal que não previa a pena de morte. Por outro lado, o acesso às redes sociais tem sido condicionado na Turquia. Como se não bastasse, existem suspeitas recorrentes de que este país da Anatólia esteja a comprar secretamente petróleo ao Estado Islâmico. A Turquia parece caminhar a passos largos para uma ditadura repressiva sem respeitar a transparência e a isenção necessárias. Mais uma vez, o Ocidente está de braços cruzados e pode até nem esgrimir qualquer gesto para acalmar diplomaticamente a situação.





Foto - Bulent Kilic/AFP/GETTY IMAGES

domingo, 17 de julho de 2016

Extra-Esmoriz XLVIII - Presépio Cavalinho não resistiu a incêndio

Considerado como o maior presépio da Europa, o Presépio da Cavalinho, situado na freguesia de S São Paio de Oleiros (concelho de Santa Maria da Feira) foi fustigado por um terrível incêndio que sacrificou um dos principais ex-libris da nossa região. Ao todo, terão desaparecido mais de 10 000 peças, tornando-se assim numa perda irreparável de todo um património singular que nos remetia para a fantasia da época natalícia.
Manuel Jacinto Azevedo, mentor do projecto nascido em 2004, recorda que no passado Natal de 2015 cerca de 750 000 visitantes terão visitado o espaço em regime de entrada gratuita.
O incêndio deverá ter sido causado pelas altas temperaturas que se registaram na tarde do dia 15 de Julho, situação dramática que ainda poderá ter sido, de certa forma, propiciada pela grande carga térmica existente dentro do pavilhão e pelo conteúdo altamente inflamável dos materiais utilizados nos diversos cenários do presépio. 
De acordo com o Correio da Manhã, o incêndio foi combatido por 83 bombeiros e 24 viaturas das corporações de Espinho, Esmoriz, Ovar, Feira, S. João da Madeira, Fajões e Lourosa.
Lamentamos o desaparecimento deste inolvidável presépio que era um incrível monumento natalício! No entanto, fazemos votos para que o mesmo seja reconstruído no futuro.




Foto - Paulo Jorge Duarte

Portugal - campeões europeus em diversas modalidades

Só neste mês de Julho, Portugal sagrou-se campeão europeu em futebol, hóquei em patins e no atletismo, escrevendo assim uma inédita página de ouro na História do Desporto Nacional. 
No futebol, Portugal sagrou-se pela primeira vez campeão europeu, ao derrotar na final a França (selecção anfitriã) por 1-0 após prolongamento. O tento vitorioso foi apontado por Éder, o que motivou o posterior festejo da parte de milhões de portugueses. O futebol praticado pela selecção de Fernando Santos não era vistoso, mas ainda assim suficiente para ultrapassar cada obstáculo que se lhe deparava.
No hóquei em patins, a selecção portuguesa teve um percurso irrepreensível, demonstrando uma enorme qualidade que se traduziu em sucessivas goleadas. A vitória por 6-2 diante da Itália quebrou o jejum de 18 anos. O seleccionador Luís Sénica festejou efusivamente o título conquistado.
Nos Europeus de Atletismo, foram vários os portugueses medalhados, entre atletas já consagrados e atletas promissores. Destaque para o ouro na meia-maratona e no triplo salto femininos. 
Marcelo Rebelo de Sousa não terá mãos a medir neste mês, visto que terá de condecorar os inúmeros heróis da nação.
Ao menos, que seja o desporto a encher de orgulho os portugueses!





Foto - AFP








Foto - Federação Portuguesa de Atletismo

Abaixo o lambe-botismo na política em geral

Se há algo que abomino é o lambe-botismo na política. O dizer "amén" a tudo só para que mais tarde ambicionem ser contemplados com um cargo, uma condecoração ou uma benesse é algo que me enoja e que muito nos diz sobre a ausência de personalidade de muitas pessoas que se encontram neste sector. Em vez de termos políticos "originais" com as suas próprias ideias e convicções, temos muitas vezes "cópias" made in China que nunca irão favorecer o salto qualitativo que se exige na nossa sociedade! Claro que não estou a particularizar nem individualizar, pois não pretendo aqui expor ninguém. Nem é esse o propósito deste pequeno artigo! Apenas acho que se cultiva pouco a personalidade em diversas estruturas partidárias (como é óbvio, existirão certamente felizes excepções por este país fora: oxalá que passem a reivindicar uma tendência maior no futuro!), valorizando-se demasiado a subserviência, muitas vezes cega e incondicional, dos seus integrantes.
É por isso que jamais ingressaria numa estrutura dessa natureza, porque provavelmente teria de deixar de ser quem eu sou. Passaria a ter o dever de não-discordar dos superiores partidários e de concordar sempre com a linha seguida pelos altos representantes, caso contrário, poderia ficar "queimado" ou visto como um "falso militante". 
Exposto isto, gosto de combate político, gosto de irreverência, gosto de debate, gosto de tolerância, gosto de originalidade, gosto de imprevisibilidade, gosto de improvisação, gosto de perspicácia, gosto de sentido crítico, gosto de frontalidade, gosto de pessoas que pensem pela sua própria cabeça!
Simplesmente, é isto que eu gosto de ver na política. Gente nova, sangue novo, ideias novas. Só assim se fará a mudança para melhor. Caso contrário, continuará tudo na mesma, e claro isso acarretará as consequências do costume para o nosso país.
Infelizmente, o que eu vejo no meu país - são discursos gastos e já fora do prazo de validade. A mentalidade pouco ou nada mudou na última década. E isso sim é preocupante!





Caricatura de Leal da Câmara

A crítica também faz parte do jogo...

Durante a Idade Média, imputava-se todas as desgraças aos judeus, um povo sem território definido e distribuído pelas minorias de diversos reinos. Eles eram culpados de tudo e mais alguma coisa. Se havia uma grande peste ou fome, tudo seria encarado como castigo de Deus que não tolerava a presença destes no seio das sociedades cristãs. Claro que estávamos numa época onde os mitos e as superstições prevaleciam, abrindo lugar ao ridículo.
No ano de 2016, e mais de quinhentos anos depois, começa agora a difundir-se a ideia de que os críticos desta região "têm prazer" nas desgraças que acontecem, de modo a usá-las como armas de arremesso contra os actuais executivos. Como é óbvio, este tipo de afirmações "medievais" são ridículas e não têm qualquer fundamento. Nem sequer constituem argumento em debate político porque carecem de realismo. São antes meras provocações da parte daqueles que têm ainda de amadurecer mais a sua consciência democrática e de saberem lidar com a crítica, seja ela positiva ou negativa. Como é lógico, ninguém deseja o mal da comunidade só para poder atingir quem nos representa. Aliás, isso não faz qualquer sentido. É absolutamente surreal!
A propósito de tudo isto, veio à baila a história da interdição da Praia da Barrinha em Esmoriz para banhos entre os dias 14 e 15 de Julho, um cenário que nos motiva, desde já, a efectuar duas críticas.
Em primeiro lugar, o timing da abertura da Barrinha (poluída) ao mar, através de dois tubos de drenagem, foi muito mal escolhido, porque tudo poderia ter sido feito na semana anterior, numa altura em que as temperaturas eram menos convidativas para banhos. Felizmente, a interdição foi temporária porque a APA (Agência Portuguesa do Ambiente) logo concluiu, através das suas análises, que as águas marítimas estariam em condições aceitáveis, contudo se os resultados fossem negativos, a interdição poderia ter-se arrastado até ao fim de semana. Foi assim um risco desnecessário, e não totalmente calculado, que felizmente não originou grandes incómodos.
Em segundo lugar, não nos revemos no comunicado municipal que assevera que, no próximo ano, estas situações deixarão de acontecer. Na nossa opinião, tudo não passa de um mero exercício de demagogia (e de propaganda!) até porque o projecto de requalificação e valorização da Barrinha de Esmoriz não contempla a neutralização das fontes poluentes que continuarão infelizmente activas. A ribeira de Rio Maior continuará a ser o principal cancro contaminador da Barrinha porque as acções simplesmente não irão incidir sobre este curso de água. Logo, a lagoa continuará a ser imprópria para banhos, mesmo que se registem melhorias na qualidade das águas com as intervenções. No entanto, a poluição voltará a entranhar-se gradualmente na lagoa durante os próximos anos, visto que não se cortou o mal pela raiz. E isto não é uma reflexão pessimista, mas sim realista!
É importante que as pessoas saibam ter espírito crítico nestas situações e não aceitem logo tudo que lhes seja transmitido como verdades absolutas e irrefutáveis. Aliás, a democracia prevê a pluralidade de opiniões e o debate de ideias é um pilar fundamental. Só assim é que as comunidades se desenvolvem.




Foto de Marco Maurício (Jornal Público)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Esmoriz festejou o primeiro campeonato europeu de Portugal

Contra todas as expectativas iniciais, Portugal sagrou-se campeão europeu de futebol em França, depois de um percurso de um mês que contou com alguns jogos atribulados. No entanto, a selecção das quinas soube superar as dificuldades e chegou à final em Paris, onde bateu a França (selecção anfitriã) no prolongamento por 1-0, com o tento decisivo a ser apontado por Éder, o herói improvável da partida.
Após o apito final, a festa estendeu-se pelo país inteiro. Em Esmoriz, registamos igualmente o momento das celebrações na Avenida Joaquim Oliveira e Silva.













domingo, 10 de julho de 2016

Milhares aderiram ao Arraial da Barrinha

Após 11 dias de intensas festividades (30 de Junho - 10 de Julho), o Arraial da Barrinha termina finalmente neste Domingo. Pelo que pudemos apurar, a iniciativa voltou a ser um sucesso. Terão estado mais pessoas nesta edição do que nas anteriores. Muitos usufruíram assim do convívio social e da oferta gastronómica dos "palheirinhos" (tasquinhas) geridos pelas colectividades da nossa terra (estas puderam assim amealhar algumas receitas que servirão para financiar futuras actividades ao serviço da comunidade). Durante o Arraial, houve ainda concertos diários para todos os gostos (com a presença de grupos consagrados a actuarem no palco localizado nas proximidades da Capela da Praia e do Palheiro Amarelo) e algumas exibições artísticas. À entrada do Arraial, existiam ainda barraquinhas destinadas a vender artigos de decoração, bijuteria, peças artesanais, tecidos, quadros, doçaria caseira...
Estas festividades inseriam-se assim nas comemorações dos 23 anos da elevação de Esmoriz a cidade e ainda dos 26 anos de geminação consubstanciada com a cidade francesa de Draveil. 
Em seguida, apresentamos fotos tiradas na noite do dia 9 de Julho, quando a conceituada banda portuguesa Amor Electro levou ao delírio um mar de gente.


























Esta última foto é da autoria de Normando Ramos e exibe em destaque a Banda "Amor Electro"