domingo, 25 de agosto de 2019

Está tudo a postos para mais uma procissão

Como já é apanágio, a nossa página vai voltar a apresentar mais uma foto-reportagem da procissão em honra do Nosso Senhor dos Aflitos e da Nossa Senhora da Boa Viagem, momento basilar das Festas do Mar. É uma tradição de cobertura jornalística que já mantemos há sete anos, e da qual muito nos orgulhamos. Cerca de 30 andores sairão da Igreja Matriz de Esmoriz em direcção à Capela da Praia, sofrendo um desvio, perto do fim, de forma a realizar-se a célebre bênção do mar.
Neste momento, temos vindo a reparar que alguns pontos centrais do trajecto têm sido devidamente decorados para acolher esta iniciativa de fé. Podemos dar os exemplos da Capela da Praia (ponto de chegada da procissão, a qual contempla um longo tapete com alguma relva presente que ilustra símbolos piscatórios, nomeadamente uma âncora) e da zona do paredão onde decorrerá a bênção do mar (a namoradeira será a estrutura utilizada para o discurso religioso, encontrando-se a mesma também enfeitada, e com a imagem de um azulejo em formato de coração colocada numa rocha imediatamente ao lado). Noutro ponto do paredão, não muito longe, pode também ser encontrada noutra rocha uma imagem de Nossa Senhora (trabalho da mesma artista) que é tão venerada pelos nossos pescadores. Também o monumento do barco da Arte Xávega, presente na Avenida Joaquim Oliveira e Silva, foi alvo de um bonito arranjo floral circundante.
A procissão começa oficialmente às 16 horas, saindo assim da Igreja Matriz de Esmoriz rumo ao lugar da Praia de Esmoriz.
Milhares de pessoas são esperadas.





Direitos da Foto: João Dinis




Direitos da Foto: Dinis Gonçalves

Sábado (3º Dia) contou já com um mar de gente

Lean Cruz e Marcus fizeram com que Esmoriz voltasse a encher. Entre 500 a 750 pessoas estiveram presentes na plateia de forma a assistir aos seus concertos. Efectivamente, um mar de gente se colocou junto do palco e tirou proveito das melodias que escutava. Mas a multidão prolongava-se naturalmente por outros sítios das festividades, devendo ter ascendido à ordem dos milhares.
O fogo de artifício deste sábado à noite também surpreendeu, pela positiva, tendo perdurado por cerca de 7 ou 8 minutos.
Ontem sim, estavam já naturalmente todas as tendas e recintos móveis abertos ao público, ao contrário do que se havia sucedido nos dias anteriores. E como se aguardava, a adesão viria a ser muito boa. Já era fim de semana! Muitos discutiam peças e os seus preços junto dos espaços mais comerciais, outros deliciavam-se com churros e farturas nas tradicionais rolouttes, e claro a malta mais jovem testava a sua adrenalina nos espaços de diversões.
A Comissão de Festas em honra de Nosso Senhor dos Aflitos e da Nossa Senhora da Boa Viagem faz até agora um balanço positivo, mas espera naturalmente que este Domingo seja memorável, dado que é neste dia que se concentrarão os momentos centrais.





Imagem nº 1 - Muita gente junto ao palco. Na altura, actuava Marcus.
Direitos da Foto: Comissão de Melhoramentos de Esmoriz

sábado, 24 de agosto de 2019

Entrevistas com Memória XI


Fernando Camelo Almeida foi líder da concelhia do CDS-PP Ovar entre 2015 e 2019, tendo apresentado recentemente a sua demissão devido a divergências com Assunção Cristas, actual presidente do partido a nível nacional. Nas eleições autárquicas de 2017, Fernando conseguiu ser eleito para a Assembleia Municipal de Ovar, quebrando uma “seca” centrista que já perdurava há vários anos. O autarca já afirmou que honrará tais pergaminhos até ao final do mandato em 2021, embora se desconheça o que poderá acontecer posteriormente. 



1- Olá Fernando. Quando decidiu avançar para a aventura partidária dentro do CDS-PP? E o que levou a tomar tal decisão? 

R: Olá Cusco, decidi avançar para a aventura partidária, no CDS, há 25 anos atrás. O que me levou a tomar essa decisão foi o gosto que tenho pela política e, sobretudo, o gostar muito da nossa Terra, achando que com alguma participação na política poderia dar o meu humilde contributo para a melhoria da qualidade de vida de todos nós e para o desenvolvimento do nosso concelho. 



2- O CDS-PP conseguiu eleger um deputado para a Assembleia Municipal de Ovar em 2017. Considerou que, na altura, foi um grande êxito? Ou esperava mais? 

R: Um grande êxito não diria. Considero que o resultado foi positivo tendo em conta que o CDS não tinha representante na Assembleia Municipal e, desde então, passou a ter. Foi um resultado justo pelo trabalho que já vínhamos a fazer na oposição há algum tempo, mesmo sem termos assento na Assembleia Municipal. Resumindo, a minha eleição para a Assembleia Municipal foi o reconhecimento dos munícipes pelo trabalho que realizámos anteriormente e modéstia à parte, acho que não desiludimos quem nos deu um voto de confiança, pois hoje é inquestionável que somos a voz da oposição e acima de tudo dos Munícipes. 



3- Para muitos, é considerado o principal rosto da oposição ao executivo municipal de Salvador Malheiro. Em que campos ou sectores se evidencia mais o braço-de-ferro que mantém com a actual equipa que está à frente da autarquia de Ovar? 

R: Não se trata de um braço-de-ferro, diria mais uma grande divergência em termos de estratégia e formas de pensar atendendo ao que deveria ser feito pelo nosso Município. A título de exemplo, na área do Turismo, considero que temos um potencial enorme que tem vindo a ser subaproveitado, não se verificando uma estratégia clara. 
Na área da Cultura, revelam-se gastos excessivos na animação das praias em detrimento de outras apostas menos dispendiosas e até mais aliciantes que poderiam alavancar a economia local, convidando mais gente ao nosso Município. 
Também na área do Empreendedorismo - que é fulcral, pois estamos a falar da criação de postos de trabalho, não existe qualquer estratégia. Apesar de haver um Vereador com o Pelouro do Empreendedorismo, é notório que este faz um trabalho muito escasso e, consequentemente, temos um número reduzido de novas empresas a instalar-se no Município de Ovar e temo que todos iremos pagar o preço desta inoperância do Executivo mais tarde ou mais cedo… Exemplo disso, é a Zona Industrial Sul de Ovar que foi contemplada em PDM (Plano Diretor Municipal) mas o que é certo é que nada foi feito. Repare, um empresário que chega ao Concelho de Ovar e que queira instalar uma empresa não tem as devidas condições nem sequer o acolhimento devido por parte dos Autarcas! Pelo contrário, com as atitudes que têm, parece até haver algum desinteresse. 
Outra área que também tem de ser alterada o mais rápido possível é a área dos Serviços Municipais. Temos de ser claros e pragmáticos. Existem serviços que não funcionam, nomeadamente o da Comunicação e o da Divisão de Obras que presta um péssimo serviço aos munícipes. Isto tem de ser assumido e não temos de fugir às questões. Tem que haver uma desburocratização e um aligeirar responsável dos processos, que infelizmente não se vê. Por exemplo, não é admissível que uma pessoa queira reabilitar um prédio e que esteja à espera cerca de um ano ou mais para poder avançar com a obra! Isso afasta os investidores e atrasa o nosso crescimento. 
Para além disso, existem outros problemas, como é exemplo a área do Ambiente onde continuamos a ter os mesmos problemas, seja na Barrinha de Esmoriz; seja a poluição do Rio Cáster; seja o problema da Erosão Costeira que não é responsabilidade da Autarquia mas que parece só se lembrarem deste quando o mar provoca estragos; seja o problema da Ria, que vai ter uma dragagem que deixa muito a desejar por aquilo que se vai sabendo e, portanto, há toda uma série de questões na área ambiental que também devem ser vistas de outra forma por parte de quem está à frente da Autarquia. 
Outra área que deve ser falada e trabalhada é a do Património Local, no que concerne às Fontes, às Capelas dos Passos, aos Moinhos, aos edifícios municipais (como por exemplo o Palacete dos Castanheiros e o edifício do antigo cinema) e à valorização e embelezamento das áreas verdes, entre outros. 
Outra área fulcral e que não tem sido trabalhada convenientemente, é a área da Cultura e Turismo, a valorização da Tanoaria, a preservação da Arte Xávega, a criação de um posto de turismo em Esmoriz (Proposta que sugeri numa sessão da Assembleia Municipal), a criação de um roteiro para turismo religioso, são apenas alguns exemplos do que pode e deve ser feito. 
Depois, a área da Educação onde se observa a necessidade de desenvolver um trabalho diferente. Exemplo disso, é a falta de peso político para se resolver de uma vez por todas o problema da Escola Secundária de Esmoriz que precisa de uma intervenção urgente, assim como também não percebo o porquê da Autarquia ainda não ter feito uma intervenção tão necessária na Escola do Gavinho em Cortegaça que no estado em que se encontra tem afastado cada vez mais os alunos para outras escolas da periferia. 
Por outro lado, na área da Saúde verifica-se o problema do encerramento do Centro de Saúde de Maceda, bem como a carência de um Serviço de Urgência Básico Permanente em Ovar (24 horas por dia), esta é uma causa que me é particularmente cara. Em 1999, estive na linha da frente com o Valdemar Gomes, o Álvaro Silva, o José Lopes, o Luís Filipe Silva, o Miguel Viegas e outros, na defesa do nosso Hospital contra o encerramento da maternidade . 
Passando para outro tema que me preocupa, a causa dos animais, é notória a falta de preocupação pela causa animal. Este Executivo criou o lugar de Provedor do Animal onde esteve uma pessoa a exercer a função pouquíssimo tempo e que se demitiu, ficando o cargo desde então desocupado. Esta situação aponta para uma medida show off ou de folclore político para enredar as pessoas. Não fosse a dedicação e empenho de algumas pessoas aos animais, o concelho de Ovar seria conhecido, nesta matéria, pelos piores motivos. 
Mas eu acho que agora chegou o momento em que as pessoas não se deixam enredar mais; já perceberam a estratégia e a forma de estar do atual Executivo e certamente que nas próximas eleições irão dar a resposta justa que passa por lhes mostrarem o cartão vermelho e substituí-los por quem faça mais e melhor. 
Por último, na área social, há muito trabalho a fazer, nomeadamente na habitação social, a Autarquia adquiriu, digamos que de uma forma forçada, dois edifícios que serão destinados à habitação social ou venda a custos controlados (compromisso assumido pelo Sr. Presidente da Câmara). Sei que não resolverá o problema, mas será mais um passo no sentido de colmatar as falhas existentes. Depois, também, é preciso disciplinar os apoios, na minha opinião. Estes não podem ser vistos como uma arma política para fidelizar votos, mas reconhecidos com rigor, exigência, total transparência e, essencialmente, serem atribuídos a quem realmente precisa e tem que haver um acompanhamento e fiscalização rigorosos. Todos estes temas me preocupam e também deveriam preocupar a Autarquia e, espero sinceramente, de uma vez por todas, preocupem também todos os nossos munícipes! Havia mais a dizer, mas já me alonguei muito e não me quero tornar maçador. Concluindo, não se trata de um braço-de-ferro, mas são vários os temas em que realmente coexiste uma divergência grande entre a autarquia, neste caso o Sr. Presidente Salvador Malheiro e eu. Respeito as suas posições, não obstante, exponho as minhas e faço as minhas sugestões que, infelizmente, nem sempre são aceites.



4- Uma das suas principais frentes de batalha é o estado da Praia do Areinho e as dificuldades de concessão em torno do restaurante Vela Areinho. Neste momento, decorre o desassoreamento da Ria de Aveiro. Acredita que os tempos vão mudar ou pensa que existe inércia e mau planeamento neste caso em concreto? 

R: Eu diria que infelizmente não é só neste caso em concreto que se verifica inércia e mau planeamento (caraterísticas deste Executivo Municipal). Relativamente à Ria de Aveiro, este é um tema que me é muito caro porque sou natural de Ovar e sinto a Ria também como minha. Passei parte da minha infância no Areinho, frequentei muito o Vela Areinho e, portanto, acho incompreensível deixarem as coisas chegarem ao estado que chegaram. É lógico que o problema da Ria não é da responsabilidade da Autarquia e muito menos do atual Executivo, temos que ser sérios! Não obstante, cabe à Autarquia exigir e pressionar. Não podemos aceitar que vá decorrer uma obra de desassoreamento e que hajam sérias dúvidas de que a mesma irá resolver o problema. A título de exemplo, temos a área da Marina do Carregal que não está prevista ser desassoreada. Isso é incompreensível, com todas as embarcações atracadas num espaço no estado em que está e não fazer qualquer intervenção… Portanto, há muito trabalho a fazer e o Governo deve fazer uma intervenção diferente. Por sua vez, a Autarquia deverá exigir e insistir junto do Governo para que seja feita uma intervenção eficaz. Sinceramente não acredito muito que os tempos vão mudar, mas espero estar enganado… Relativamente à concessão do Vela Areinho subsiste uma falta de visão por parte do Executivo. Repare que já tivemos um concessionário que saiu por decisão da Autarquia e de lá para cá não tivemos mais ninguém. A história do último concurso também me parece no mínimo estranha, porque afinal de contas existiu uma caução que deveria servir para caucionar o negócio. A empresa a quem foi concessionado o espaço, que ganhou o concurso, recuou e desfez o negócio, rescindindo o contrato e foi-lhe devolvida a caução. É uma coisa que não se percebe, sem justificação possível e foi lesiva para o interesse do Município. 



5- E a Barrinha de Esmoriz, como vê o estado da lagoa e a utilidade das obras recentes de requalificação deste sítio ambiental? 

R: Antes de mais eu sempre fui contra do uso da Barrinha de Esmoriz como bandeira política. E, nos últimos anos, assistimos ao agitar dessa bandeira demasiadas vezes. O problema é que, no decorrer dos anos, a Barrinha tem sido esquecida e as intervenções não têm resolvido o problema na raiz. O facto é que hoje temos os Passadiços, que foi uma obra digna de registo e salutar, mas falta o resto… Diria que falta o principal. Não sei se é falta de vontade política, se é falta de competência política, o que é certo é que os problemas se mantêm e, de facto, não vejo a resolução que todos ansiamos e que Esmoriz e todo o Município de Ovar merece. 



6- Qual é a sua opinião sobre o atual momento presenciado em Esmoriz. Que méritos e lacunas apontaria à cidade?

R: Esmoriz é uma cidade que acima de tudo merece mais respeito. É uma cidade com um número elevado de habitantes que dão um contributo fortíssimo em termos de pagamento de impostos e no Orçamento Municipal. Junto à praia verificam-se vários espaços que demonstram falta de zelo, exemplo disso é aquela pequena Praceta junto do areal onde tem uma Traineira e que está cheia de erva à volta. Também o Palacete dos Castanheiros, onde funciona o Pólo da Biblioteca Municipal e a Universidade Sénior, está num estado deplorável e inaceitável e que no inverno chove lá dentro. Felizmente resolveram agora a questão do Jardim do Ancoradouro, independentemente da verba gasta ter sido elevada e se calhar o que lá está não justificar o gasto. Mas isso é uma situação que eu não me quero pronunciar para já. Dizer só que há 1 ano atrás, alertei para o estado de abandono do espaço e agora congratulo-me por ter sido resolvida a questão e ter sido lá colocado um Parque Infantil. Relativamente à Escola Secundária de Esmoriz, que já falei anteriormente, volto a frisar que tem que ser feita uma intervenção e que a Autarquia tem de resolver a questão com a máxima urgência, pois não é aceitável que se inicie mais um ano letivo com o mesmo problema. Também no que concerne aos arruamentos ainda existe muito trabalho a fazer, assim como o problema da EN 109 tem de ser resolvido, pois tem demasiado tráfego, não tem passeios e é um perigo constante para os peões. A limpeza das ruas também! Esmoriz tem que ter um tratamento diferente, quer por parte da Autarquia quer por parte da própria Junta de Freguesia que deverá ser mais proativa no trabalho a efectuar no terreno e na reivindicação dos interesses dos Esmorizenses, que sempre tiveram a caraterística de povo bairrista e nos últimos anos parece algo conformado com a realidade actual.



7- Aurélio Gomes foi nomeado, neste ano, como líder do CDS-PP do núcleo de Esmoriz. Confia que ele poderá realizar um bom trabalho na preparação das autárquicas de 2021?

R: Sobre esta matéria, permita-me que não faça grandes comentários, porque deixei de exercer qualquer função no CDS e, portanto, não me vou pronunciar sobre a preparação de autárquicas ou sobre o trabalho do líder do Núcleo de Esmoriz. A título pessoal, o que posso dizer é que tenho muita estima pelo Aurélio Gomes e acho que é um Homem com capacidade e competências que pode dar um bom contributo na defesa dos interesses de Esmoriz. 



8- Em Esmoriz, o partido não tem conseguido eleger qualquer membro para a Assembleia de Freguesia já há vários sufrágios. Quais as razões para estes desaires sucessivos? Que estratégias poderão ser adotadas para mudar esta tendência? 

R: De facto o Partido, com muita pena minha, já há muito tempo que não tem representantes na Assembleia de Esmoriz. Não gostando de sacar qualquer responsabilidade aos candidatos, pois com certeza todos deram o seu melhor, é certo que os que surgiram não mereceram a confiança dos Esmorizenses. Pode ser até pela forma como comunicaram ou porque apareceram outros candidatos mais fortes de outros Partidos. Há fatores variados e não seria justo da minha parte estar aqui a fazer julgamentos eleitorais dos candidatos anteriores que estou convicto que deram o seu melhor. Relativamente às estratégias a adotar para mudar esta tendência, pelas razões que evoquei na questão anterior, não vou tecer qualquer comentário. Como disse e tenho dito, não desempenho qualquer função no CDS desde a minha demissão e, portanto, não vou opinar sobre o futuro do CDS nem vou sequer interferir em nenhuma questão relativa ao CDS. 



9- No panorama nacional, Assunção Cristas motivou da sua parte acérrimas críticas. Porque não se revê na sua liderança? Haverá a possibilidade de reconciliação? 

R: Eu não diria acérrimas críticas, diria mais críticas frontais que é uma coisa cada vez mais rara nos Partidos. Há uma tendência para a subserviência às lideranças e são poucos os que têm coragem de afrontar, digamos, pensando diferente, mas demonstrando publicamente que pensam diferente dos líderes partidários. Da minha parte, sempre estive na política de forma livre, não tenho qualquer dependência da política e não sei estar de outra forma senão sentindo-me livre, dizendo o que penso sempre que acho oportuno. No caso concreto de Assunção Cristas, não me revejo de forma nenhuma na sua liderança, disse-o muito antes de se elaborarem e escolherem as listas para Deputados. Penso que devo ter sido a única voz activa na noite das eleições europeias, pelo menos a aparecer publicamente. Ao contrário do que muita gente pensa, e embora a comunicação social tenha dado mais enfâse na altura das Eleições Europeias, eu já há cerca de dois anos que tenho vindo a fazer esses reparos. Não me revejo na sua liderança pelas razões que já são públicas e acho que o Partido neste momento não ocupa um espaço político próprio, tem tido uma liderança que anda ao sabor do vento, ora mais ao centro ou mais à direita, conforme a oportunidade do momento e da agenda política. O Partido em que eu me filiei era um Partido de princípios e valores, custasse o que custasse mesmo em termos de popularidade ou em termos eleitorais e isso perdeu-se completamente ao longo dos tempos; embora eu também ache que há aqui uma herança de Paulo Portas, que teve muito mérito em levar o Partido a governar mas que, na minha opinião, tem também muita responsabilidade pela situação atual do Partido. Relativamente à reconciliação, a mesma não tem de acontecer porque não houve nenhuma zanga! Existe, sim, uma divergência de posições que são difíceis de conciliar porque nem Assunção Cristas parece mudar o rumo da sua liderança e eu jamais mudarei a minha linha de pensamento. Portanto, da minha parte julgo que não há entendimento politico possível.



10- Recomendaria o voto no CDS-PP nas próximas legislativas ou deixará isso ao critério de cada cidadão? 

R: Ora aí está uma questão delicada. Com toda a honestidade, apelar ao voto no CDS demonstraria uma grande incoerência da minha parte, tendo em conta as minhas posições relativamente à liderança no Partido. Não faria qualquer sentido eu apelar ao voto em Assunção Cristas depois do que disse e, portanto, na política entendo que não basta apregoar a seriedade e coerência, tem que se praticar. Nesse sentido, não vou recomendar o voto em nenhum Partido. No entanto, permita-me dizer que é de elementar justiça fazer uma referência ao excelente trabalho dos Deputados do CDS eleitos por Aveiro, João Almeida e António Carlos Monteiro, que foram deputados presentes no Distrito de Aveiro durante os últimos 4 anos, inclusive no Município de Ovar e, portanto, quero reconhecer publicamente o trabalho que realizaram e torço para que sejam novamente eleitos. O Distrito de Aveiro ficará a ganhar. 



Senhor Fernando Almeida, agradecemos o tempo que nos concedeu para a realização desta entrevista.





Imagem nº 1 - Fernando Almeida, deputado centrista da Assembleia Municipal de Ovar, esteve hoje em entrevista ao nosso blogue.





Imagem nº 2 - Fernando Almeida tem sido muito crítico da gestão autárquica actual.

Festas do Mar avançam para o segundo dia

Nesta sexta-feira à noite, observámos uma maior mobilização popular junto à Praia de Esmoriz. O número de visitantes aumentou em relação a ontem. A Banda JL6 tem assegurado agora a animação musical das festividades, contando com uma adesão considerável do público.
Situada mais a norte, a área destinada às diversões continua a ser bastante requisitada.
Por outro lado, denotámos um maior número de tendas abertas em relação ao dia de estreia.
É sinal de que as festividades seguem num bom caminho, com o seu auge a prever-se para este fim de semana.
Desta última vez, aproveitámos para consumir umas farturas que estavam bastante deliciosas, enquanto a azáfama social era visível em redor. Grupos de pessoas conversavam entre si, os pais viam os mais novos a aventurarem-se nos carrinhos de choque e carrosséis ou a tentarem a sorte nos trampolins e jogos tradicionais, e claro, havia ainda quem só tentasse desfrutar do ambiente em si.




Imagem nº 1 - O número de pessoas presentes nas Festas do Mar de Esmoriz aumentou no segundo dia.
Direitos da Foto: Comissão de Melhoramentos de Esmoriz

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Entrevistas com Memória X

Florindo Pinto é o nosso convidado especial deste mês de Agosto, tendo sido até então uma das personalidades mais atentas ao actual estado da cidade de Esmoriz.
Foi presidente da Comissão de Melhoramentos de Esmoriz, entre 2000 e 2009, naquele que se tornou num dos maiores mandatos dentro daquela instituição. Dinamizou o Jornal e a Rádio Voz de Esmoriz, durante quase uma década.
Foi ainda fundador do Malho Tanoeiro, publicação que também conheceu difusão na cidade.
Apesar dos seus 79 anos de idade, Florindo continua a ser um homem participativo nas causas da cidade, demonstrando sempre um olhar crítico. Neste mês de Agosto, o Malho voltou a sair na praça pública. 



1 - Olá Florindo. A publicação do Malho voltou a sair às ruas, após uma interrupção de vários meses. O que o motivou o regresso do seu jornal?

R: Por que, coisas há, que merecem ser ditas e descritas, para serem ouvidas e ficarem escritas.



2- Elencou muitas lacunas por suprir na cidade. Acredita que os autarcas irão atender às suas reivindicações?

R: Claro que não, até por que não reivindico. O que sempre tenho feito é o lembrar; o dever, a obrigação, daqueles que devem servir e não se servir.



3- Continua empenhado em reforçar o slogan de “Esmoriz a concelho”. Acredita que a cidade poderá um dia voltar a merecer a oportunidade de almejar tal estatuto? 

R: Esmoriz concelho, esteve “ali à porta”. A tal porta foi, então, fechada. Os esmorizenses, podem “apontar o dedo acusador” a dois autarcas. Um, nascido em Esmoriz e a um outro, que até cá chegou, vindo lá das bandas de Santa Valha. 
A cidade merece e o almejar o “tal estatuto”, não pode deixar de ser alimentado. Os “migueis de vasconcelos”, que por cá andam, devem ser denunciados e corridos dos cargos que mais melhor podem decidir. Dar “vivas a Ovar”, em Esmoriz, é insultar a cidade e as suas gentes. 



4- Se Esmoriz fosse concelho, defenderia um município com freguesia única (tal como acontece com São João de Madeira) ou enveredaria por uma fórmula agregadora de mais freguesias (ascensão de Gondesende que passaria de lugar a freguesia e/ou pela anexação de vilas vizinhas)?

R: A decisão sempre caberia a Lisboa. Venha ele, a sua composição, é de somenos importância.
Gondesende, freguesia!!! Aquele que foi um lugar de grande importância no desenvolvimento da freguesia, está envelhecido e, como em algumas outras situações da vida, foi simplesmente abandonado e mal tratado.



5- Acredita que um potencial município de Esmoriz conseguiria ser auto-suficiente?

R: Sempre dissemos que sim. Alguns ignorantes, dizem, que não. Outros, menos esclarecidos, duvidam. Quem de mim discorda, que se explique.
Por que será que os exploradores, os colonizadores, que dizem e fazem “para Esmoriz quanto pior melhor”, não facilitam o atingir desse estatuto?
Procurem saber o montante dos nossos impostos e concluam. Vão milhões e chegam tostões.



6- Ao longo das últimas décadas, sempre se indignou com aquilo que considera ser a pouca atenção da autarquia de Ovar em relação a Esmoriz. Continua convicto de que a nossa terra é ainda o “parente pobre” do concelho vareiro?

R: Individualizar, talvez seja egoísmo da nossa parte. Sempre sentimos, que pertencemos à “província concelhia” e que, ao longo dos tempos, a freguesia de S. Cristóvão, que agora “não existe”, foi a privilegiada. 



7- O que achou das obras de requalificação da Barrinha? Pensa que foram alcançados os objectivos desejados para este sítio ambiental?

R: Fez-se alguma coisa. Retiraram algum lixo, que colocaram em um outro local, para incomodar os banhistas.
Os quilómetros de madeira, bem podiam ter melhor aproveitamento. Uma ou outra elevação, daria a possibilidade de mais ver e deliciar o olhar, mas…
Os técnicos esqueceram o “como resolver”, em caso de necessidade médica ou de punir a criminalidade.
A “torneira poluidora”, não foi fechada, logo, o “faz que faz”, continua a ser feito e os milhões de euros, esbanjados.
A Barrinha, não deixará de continuar a ser poluída com as “promessas dos políticos”.



8- E a reabilitação em marcha do Esmoriztur?! Acredita que o espaço voltará a ser o que foi nas décadas de 80 e 90?

R: Garantidamente que não se repetirá o sucesso. Mas, ficamos a aguardar a conclusão daquilo que tem sido prometido, devido e adiado. 
E se daquela casa se fala, já foi iniciado um “processo”, que lembrará o “senhorio”, da vontade de muitos Esmorizenses, em dar o nome de ORLANDO SANTOS, ao edifício.



9- Quais serão os futuros desafios que a cidade enfrentará? Que sectores de intervenção devem ser prioritários para assegurar o seu desenvolvimento?

R: Por muito estranho que possa parecer, o grande desafio é colocar na cadeira do poder, gente que sinta o quanto vale o respirar os ares da Barrinha, não seja oportunista e não anseie ser autarca vareiro.
Com gente séria no poder, os interesses de Esmoriz estarão primeiro e o desenvolvimento será palpável e visível.



10 - Por fim, sabemos que o seu pai foi tanoeiro. E que uma das suas publicações (“O Malho”) assume, no título, uma conotação com esta actividade identificativa da cidade de Esmoriz. A criação de um museu da Tanoaria ou o empreendimento de uma campanha que visasse determinar o estatuto de Esmoriz enquanto “capital portuguesa da Tanoaria” poderiam catapultar para uma maior visibilidade desta tradição?

R: Em “conversa da treta”, autarcas defenderam a criação do Museu. A dívida, morrerá, por certo, com eles. 
Em meu poder, tenho “material”, que demorou anos a recolher e que, em verdade, em muito poderá vir a servir para perpetuar a memória dos “mártires”, que, como o meu pai, tudo deram para o dignificar dessa Arte. Poderá, digo eu, mas sinto que o tempo escasseia. Se a publicação vier a acontecer, muito será dado a conhecer, a todos aqueles que não ouviram o “bater do malho”. 



Muito obrigado, Sr. Florindo Pinto, por nos ter concedido a honra de responder ao nosso questionário.





Imagem nº 1 - Florindo Pinto aceitou o desafio de responder à nossa entrevista.





Imagem nº 2 - Florindo Pinto foi, no passado, Presidente da Comissão de Melhoramentos de Esmoriz.

Começaram oficialmente as Festas do Mar em Esmoriz

Nesta passada quinta-feira, iniciou-se oficialmente a edição de 2019 das Festas em honra de Nosso Senhor dos Aflitos e de Nossa Senhora da Boa Viagem na Praia de Esmoriz. Na primeira noite, registámos já alguns estabelecimentos montados e abertos ao público, mas houve outros que ainda se achavam em off, talvez estejam a guardar-se para o fim de semana. 
Caminhamos e observamos à entrada tendas, mas a adesão popular era aqui tímida. O cenário só seria diferente junto ao palco presente no limite poente da Avenida da Praia , onde duas ou três centenas de pessoas assistiram ao concerto de música popular da Banda Os Solitários, tendo este grupo interagido alegremente com o público e cantando melodias românticas e picantes. Como é natural, os bailaricos populares irromperam pela plateia, soltando-se sorrisos e afectos. Às vezes, a música tem esta magia e extrai o melhor das vivências sociais.
Por outro lado, as estruturas de diversão, sitas na Avenida da Barrinha, também ajudaram a captar um número significativo de jovens e crianças.
Em jeito de rescaldo do primeiro dia, podemos afirmar que a afluência foi razoável, o que é compreensível, tendo em conta a semana de trabalho que para muitos cessa hoje (para outros, nem isso!). Por conseguinte, espera-se que nesta sexta-feira à noite e no decurso do próximo fim de semana, a adesão vá aumentar consideravelmente. 
O cartaz festivo apresentado é bom, agora é altura das famílias corresponderem com o seu interesse e divertirem-se numa das mais majestosas festividades do Distrito de Aveiro.





 Imagem nº 1 - O Grupo Os Solitários causou boa impressão junto do público presente.
Direitos da Foto - Comissão de Melhoramentos de Esmoriz




 
Imagem nº 2 - Muitos jovens procuraram as estruturas móveis de diversão.
Direitos da Foto - Comissão de Melhoramentos de Esmoriz

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Loja Solidária do Centro Comunitário de Esmoriz reabre

O Centro Comunitário de Esmoriz anunciou a reabertura da sua nova Loja Solidária na tarde desta quinta-feira. O espaço renasce agora com a "cara lavada", contando com uma variedade de roupas, brinquedos, calçado, artigos do lar e objectos de decoração que se encontram a um preço simbólico. 
A Loja Solidária recebe igualmente bens que as famílias descartam (ora porque já não servem, ora porque deixaram de ser vistos como prioritários) e, depois de lavados/limpos ou tratados, coloca-os à venda para quem desejar adquiri-los. Os valores angariados reverterão no apoio às famílias mais carenciadas.
A Loja Solidária do Centro Comunitário de Esmoriz situa-se na Avenida Joaquim Oliveira e Silva, no lugar da Praia de Esmoriz.
Recorde-se que existe outro estabelecimento com funcionamento similar, gerido pelo Centro de Assistência Social de Esmoriz, na Avenida da Praia (parte nascente), em frente à Travessa das Barrosas.
Todas as ajudas (ora oferecendo roupa e outros bens, ora comprando material nesses lugares) são portanto bem vindas!





Direitos da Foto - Centro Comunitário de Esmoriz