quarta-feira, 5 de junho de 2013

A caminho das 75 000 visitas - Imagem de Marca das Cusquices

É sempre um marco fascinante que qualquer responsável dum blog gostaria de alcançar, sobretudo quando  este se inteira de corpo e alma das novidades duma cidade, habitada por 12 000 a 13 000 cidadãos. De facto, temos visitas dos quatro cantos do Mundo. 
De Portugal, já tivemos cerca de 57 000 visualizações. Dos EUA, já recebemos cerca de 5 000 visitas. Seguem-se ainda: a Alemanha (pouco mais do que 2 000 visitas) Rússia (aproximadamente 1 500 visitas - dado curioso), o Brasil (quase 1 400 visualizações), a Espanha (1 000 entradas), a Suiça e França (ambas com quase 1 000 observações), o Reino Unido (300 visitas) e a Ucrânia (200 visualizações). Agora com a ferramenta de tradução, observável na margem direita deste blog, é possível esclarecer muitos dos conteúdos, facilitando a leitura por parte de visitantes estrangeiros que são sempre bem vindos. 
É caso para dizer - o blog conhece uma dimensão internacional e as personalidades visadas nos nossos textos aumentam a sua visibilidade no Globo. Querem melhor do que isto?
O nosso trabalho assenta na imparcialidade e na valorização histórica e ambiental da Cidade de Esmoriz. Os resultados não são fruto do acaso. Procuraremos melhorar, até já pensamos lançar a "Cusco TV", o que inicialmente consistiria em algumas gravações quinzenais que apresentariam as novidades da terra e algumas reportagens de carácter histórico. Quem sabe se um dia... Mas até lá, é um projecto ainda em fase embrionária.
Partilho convosco, novas estatísticas do nosso blog, tendo em conta as médias obtidas desde sempre:


Visualização Média de cada Artigo - 110 - Número que é, no nosso entender, insuficiente. Esta estatística é prejudicada pelos dois ou três meses iniciais, quando a afluência mensal no blog rondava as 1500 a 2000 visitas. Agora, neste momento, já conseguimos atrair mais de 4 000 visualizações por mês. Já chegamos inclusive às 7 000 - 8 000 visitas. Os textos de teor político costumam ser os mais lidos, podendo atingir, cada um, as 300 ou 400 leituras directas (não contando com as visualizações indirectas das quais já falamos aqui).

Visualização Média por cada Dia - 162 - Não chega ainda. Queremos atingir, pelo menos, as 200 visitas diárias por média, algo que até temos conseguido nos últimos 6 meses, embora nos primeiros tempos não fosse visível esta realidade, dado que o blog estava ainda em fase de construção/crescimento inicial.

Visualização Média por Mês - 4864 - Número aceitável, embora seja ainda condicionado pela afluência limitada dos dois ou três primeiros meses de existência deste site.

São estatísticas que deverão ser melhoradas, até porque está a chegar a campanha eleitoral e aí o Blog atinge de novo o clímax! É disto que o meu povo gosta, como dizia o outro! Eh eh eh
Até hoje foram publicados 697 comentários (nunca censurei nenhum!), revelando assim o interesse da nossa comunidade em participar no futuro da cidade e isto é o que se pretende para Esmoriz!
Agradeço a atenção dos nossos leitores e é com o melhor agrado que acolhemos a vossa visita! Voltem sempre!



Imagem nº 1 - Porque o Cusco quer o sucesso! Vamos ajudá-lo a atingir as 100 000 visitas!

Fusão das Freguesias - Um Mal Necessário

Apesar de considerar que, em termos gerais, o governo de Passos Coelho não está à altura das exigências do País, devo referir que concordo com as intenções deste projecto de reorganização administrativa. Não digo que não pudessem utilizar outros meios (nomeadamente referendos sobre as comunidades locais visadas), mas é certo que temos freguesias (e até concelhos!) a mais! É preciso cortar na despesa, não podemos negar tal evidência (embora defenda que devia haver, em simultâneo, maiores incentivos à nossa economia, o que infelizmente não acontece). Acham que faz sentido manter uma freguesia com 30, 40 ou 50 habitantes???? Não, não acho. 
É certo que há localidades que podem invocar inúmeros argumentos para contestar este procedimento. Como cada caso é um caso, é provável que os mentores deste projecto possam cometer alguns erros, contudo a intenção, no geral, é minimamente aceitável. É claro que a soberania de cada comunidade será colocada em causa, contudo prefiro que seja antes assim do que irem buscar dinheiro aos bolsos dos mesmos do costume. Em suma, trata-se dum mal necessário, embora também não sejam desejáveis exageros!
Recorde-se que o Supremo Tribunal Administrativo acaba de indeferir a acção interposta pela Freguesia de São João de Ovar que visava impugnar o projecto de Reorganização Administrativa. 
Parece pois que o processo de fusão será irreversível...
Já agora e aproveitando a "carruagem" deste texto, gostaria de aconselhar os Srs. Governantes a retirar os pórticos das Ex-SCUT. Se é para dar prejuízo, então mais valia não terem mexido em nada. Está mais que visto que esta medida inconstitucional afastou os condutores das auto-estradas... e eu não os censuro porque também fiz quase sempre o mesmo (salvo em excepções mais urgentes)! Em suma, neste preciso caso, o tiro saiu pela culatra




Imagem nº 1 - São João, São Vicente de Pereira, Ovar e Arada não escaparão ao processo de fusão administrativa. Por seu turno, Esmoriz, Cortegaça e Maceda não serão contemplados neste projecto.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Agenda a discutir na próxima Assembleia de Freguesia (7 de Junho) - Ultimato ao Governo no Dossier da Barrinha?

Seguindo uma política de descentralização das reuniões do órgão deliberativo, a assembleia de freguesia reúne esta sexta feira, dia 7 de junho, pelas 21h30, na Escola da Praia, com a seguinte ordem de trabalhos:

1 – Período de Intervenção do Público.
2 – Período de Antes da Ordem do Dia:
2.1 – Discussão e votação da ata n.º 2/2013 de 29/04/2013
3 – Período da Ordem do Dia: 
3.1 – Informação Autárquica n.º 2/2013
3.2 – Proposta nº5/2013 - Discussão e votação da 1ª Revisão Orçamental/2013
3.3 – Proposta nº6/2013 – “Ultimato ao Governo da República Portuguesa para a Reabilitação da Barrinha de Esmoriz” – Discussão





Imagem nº 1 - Um ultimato ao Governo poderá ser uma realidade? Caso se confirme, acham que é a melhor alternativa?
Foto da autoria do Cusco de Esmoriz


A minha análise

Confesso que gostei especialmente do último ponto. Realisticamente, não creio que a Junta de Freguesia avance com um ultimato, mas pelo menos, penso que estarão  minimamente atentos à questão. Insisto que tudo não deverá passar duma discussão entre os seus membros ou até dum mero gesto político. Contudo, a proposta para avançar exige dos seus representantes, uma virtude que não se vê muito pelo nosso país - CORAGEM. 
De qualquer das formas e mesmo que o ultimato avance, o Governo deverá ignorar tais exigências porque a protecção do meio ambiente não é, nem nunca foi, prioridade dos senhores deputados. 
Adiante, existe uma sociedade que por aí anda e que recebeu dinheiro para intervir na Barrinha. Até hoje, não vi rigorosamente nada. Devem pensar que os esmorizenses se esqueceram!

O Estado dos Passadiços em Esmoriz e Ovar

A ciclovia que deveria ligar Esmoriz ao Furadouro ainda não foi concluída. O dossier continua parado e já há relatos de ciclistas que apanharam valentes sustos ao desviarem-se das pontes (ou passadiços) de madeira ainda inacabadas, tendo forçosamente que atravessar a "sempre" imprevisível rede viária.
Recorde-se que, durante a inauguração do Novo Parque do Buçaquinho, foram prometidos avanços significativos neste projecto e, por isso, espera-se que o executivo camarário reaja da melhor forma, assegurando novidades nas próximas semanas.



Imagem nº 1 - A Ecopista do Atlântico ainda não foi devidamente acabada.
Foto de Ângela Calção in OvarNews


Em Esmoriz, o passadiço da praia começa a ser alvo de intervenções (Aleluia!). Os acessos verticais à Praia vão ser reabilitados e será colocada uma passadeira junto ao BarraMar's. Tal decisão foi tomada em conjunto pela Junta de Freguesia de Esmoriz e pelo Movimento Cívico Pró-Barrinha. 
Mas é justo ressalvar mais uma vez o empenho dos Escuteiros de Esmoriz (Agrupamento 871) que estão a colocar as ideias na prática, desobstruindo, neste momento, os acessos à praia. 
António Bebiano, Presidente da Junta de Freguesia de Esmoriz, louvou os esforços vitais do agrupamento, proferindo a seguinte declaração: "Quando as vontades se unem, ganham os territórios e esta acção levada a cabo na Praia da Barrinha, pelos escuteiros e pela Junta de Freguesia, é um exemplo do que os Esmorizenses quando mobilizados são capazes de fazer, independentemente do cenário de extremas dificuldades que a conjuntura nos impõe




Imagem nº 2 - Os Escuteiros de Esmoriz continuam a prestar serviços notáveis à comunidade esmorizense.
Foto extraída do perfil de Isabel Silva




Imagem nº 3 - Os Escuteiros inauguraram ainda a sua Exposição (visível no mês de Junho) no Novo Parque do Buçaquinho. Na imagem, podemos observar o senhor Joaquim Silva e o chefe Chico. Ao seu lado, esteve Henrique Araújo que, enquanto Vice-Presidente da Comissão de Melhoramentos, não deixou de prestar o apoio a tal iniciativa.
Foto extraída do perfil de Henrique Araújo


PS1: Pelo que apurei ainda, a próxima edição do Campeonato Nacional de Boxe será organizado e realizado em Esmoriz, tendo para esse efeito contribuído a disponibilidade do Esmoriz Ginásio Clube e da Junta de Freguesia da referida cidade. Este evento de índole nacional poderá ter uma adesão interessante.

PS2: De acordo com o que nos foi informado pelo nosso estimado leitor Fábio Vieira, há um buracão enorme na rua do Campo Grande junto ao viaduto da A29. Já aqui exibimos a foto de tal cratera. Voltamos a insistir neste assunto, pois pelo que nos relataram, nem a Junta de Freguesia de Esmoriz nem a Câmara Municipal de Ovar agiram ainda. Acho que estão a empurrar o assunto uns para os outros, mas o importante mesmo era agir...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um belo dia de Sol

Não sei se repararam, mas hoje esteve um dia impecável.
Muitos encetaram caminhadas junto à Praia de Esmoriz e eu não constituí excepção. Com o meu traje misterioso, lá andava eu metido no meio e fui obviamente tomar o meu cafezito. Como sempre, passei despercebido, pois não gosto muito de protagonismo. Prefiro realizar trabalho comunitário/voluntário e escrever aqui alguns textos, e penso que já é uma contribuição deveras assinalável. Não preciso de me mostrar tanto até porque não iria ganhar nada com isso!
Se quisesse protagonismo, e tivesse o dom da oratória, já me tinha metido numa lista. O problema é que sou apartidário e não quero expor a minha imagem. Não condeno quem o faz, pois a política é necessária, por muito que a gente se queixe da conjuntura nacional. Mas lá está o meu perfil não se enquadra nesse campo de actuação. Posso sugerir ideias ou projectos para a terra, mas mais do que isso, confesso que não estou preparado, pelo menos, para já...
Mas não vamos falar destas cenas. Hoje, estava um belo dia e graças a Deus isso ainda não é alvo dum imposto especial (sobre o bom tempo) e é certo que, pelo menos, as praias não vão ser portajadas, pelo menos, nesta época balnear - eh eh eh Mas será que falta pouco? 
Certo é que apreciei de tal forma a brisa desta tarde que decidi elaborar o meu poema:


Uma tarde adorável em Esmoriz (Fim de Semana)
(Poema da autoria do Cusco de Esmoriz)

Abafado o inoportuno frio,
Chegaria fervorosamente a era do calor,
Motivando o meu brio
E um olhar tentador!

Um café, se faz favor, 
Comprido, e com factura,
Pedia eu num espaço acolhedor,
No qual a tradicional simpatia perdura.

As gaivotas, encantadas da vida,
Atestavam a magia deste dia,
Seguindo uma trajectória apetecida
Rumo à Barrinha, sítio ideal para a sua estadia! 

Com um Sol privilegiante, 
A juventude namorava
E o idoso calmamente se acomodava
Em torno desta brisa fascinante.




Imagem nº 1 - As gaivotas captam a curiosidade de muitos observadores. Elas sobrevoam constantemente a zona da praia.
Foto da autoria do Cusco de Esmoriz


O Cusco de Esmoriz é, indiscutivelmente, um ser lendário. Ele faz de cronista, jornalista, arqueólogo, historiador local, poeta, humorista, "cuscólogo", comentador político, observador cultural, voluntário... Em suma, um rol de papéis destinados a promover a sua linda terra. São os desígnios que acatei juntamente com a minha Irmandade, repleta de eruditos das mais diversas áreas! Apesar de tudo isto, não precisamos de protagonismo. A Cidade sim, pois necessita disso para crescer. Somos a voz do povo "anónimo"!
Só me resta desejar uma boa semana para todos os esmorizenses e restantes leitores!

sábado, 1 de junho de 2013

Dia Mundial da Criança

Já fui um catraio feliz! 
(Poema da autoria do Cusco de Esmoriz)


Que belos tempos de inocência,
Sem grandes exigências e responsabilidades,
Mas repletos de infinitas felicidades,
Usufruí dos meus pais uma inteira beneficência. 


Após ter realizado os meus deveres de estudante,
Tantos programas contemplava pela televisão,
Assegurando assim a minha diversão,
Mesmo sem possuir um computador viciante!


No mês apetecível de Junho,
As aulas estavam quase a terminar,
Havia pois motivos para celebrar,
Afinal estava a terminar a era do gatafunho.


A Praia piscava-me o olho,
O Mar convidava-me a dar um mergulho,
E eu que não era zarolho,
Lá ia eu, exibindo o meu orgulho!


Contudo, os tempos avançaram,
O espírito juvenil não desaparece totalmente,
Mas os adultos têm a especial característica de agir friamente,
Ignorando as belas virtudes que outrora, a muitos, encantaram.




Imagem nº 1 - O Cusco de Esmoriz deseja um óptimo dia às crianças do nosso Mundo! Sejam felizes! Os adultos devem também aproveitar este momento para auxiliar as mais carenciadas. Depende de todos nós um Mundo melhor!

Enigmas do Cusco I - O fim polémico dos Templários

Como já constataram, iniciamos agora uma nova rubrica que visará abordar temas fascinantes que marcaram a História Mundial. Mistério, Polémica e Conspiração incorporam um leque de palavras que irão seguramente visionar com bastante frequência nesta nova secção de textos.
Com esta rubrica, pretendemos não só divulgar os nossos conhecimentos à comunidade esmorizense, bem como tentaremos atrair um maior número de leitores portugueses e estrangeiros.
Exposto este prólogo, iniciaremos a abordagem dos últimos anos de existência da Ordem dos Templários. Seriam eles culpados dos crimes que lhes imputaram no século XIV? Ou tudo não passou duma conspiração com fins devidamente pré-estabelecidos?


Templários - Culpados ou Inocentes?


No ano de 1291, São João de Acre, último reduto cristão na Palestina, cai às mãos de Bairbairs, sultão egípcio que era conhecido pela sua severidade e intolerância no campo de batalha. A chacina foi enorme. A Cristandade ficou destroçada com a perda do seu derradeiro bastião na Terra Santa, mas a verdade é que, desta vez, não reagirá, ao contrário dos últimos dois séculos. A Europa está envolvida em guerras civis, os soberanos já não mostram tanto interesse pelo Médio Oriente. 
As Ordens Militares que tomaram uma parte tão importante no âmbito das Cruzadas, manteriam o seu poderio económico no Ocidente, mas a sua importância bélica seria agora diminuída pois o tradicional palco do Oriente tinha desaparecido. Os muçulmanos controlavam agora, por inteiro, a Palestina. 
A Ordem dos Templários, fundada em 1119 pelo cavaleiro francês Hugo de Payens (e mais alguns aristocratas), tinha formado, ao longo da sua existência, inúmeros jovens nobres que renunciariam às riquezas e se predispunham a combater pela fé cristã. Contudo, e como já disséramos, esta instituição vivia agora uma crise de identidade nos anos iniciais do século XIV.
 Em termos económicos, a situação estava longe de ser crítica, dado que possuíam controlo sobre inúmeras terras e propriedades. Por exemplo, no Sul de França, controlavam quase toda a região do Languedoc. O seu poderio financeiro era um facto assinalável.
Nesse mesmo país, reinava Filipe IV, cognominado de "O Belo", um homem ambicioso que desejava reforçar o seu poder. Para alcançar tal objectivo, ele parecia estar disposto a tudo. 
Num golpe surpreendente, embora já planeado há algum tempo, ele ordena o aprisionamento de todos os templários. Estes são apanhados desprevenidos e detidos no malogrado dia 13 de Outubro de 1307.  O processo guiado pelos franceses Filipe, o Belo, rei de França, e Clemente V, um papa frágil e influenciável, mencionava inúmeras acusações aos membros desta Ordem. Os templários são acusados de terem efectuado práticas de sodomia (homossexualidade), de cuspirem na Cruz, de adorarem ídolos pagãos, entre outras insinuações gravíssimas.
Inicialmente, os guerreiros da fé, liderados pelo grão-mestre Jacques Bernard de Molay (também ele francês com 63 anos completados em 1307), refutam todos estes ataques. Posteriormente, surgem algumas confissões, embora obtidas através de práticas de tortura ou de interrogações habilidosas.
Refira-se que mesmo com a detenção inesperada de muitos templários, não se descobriram, nos seus castelos e conventos, estátuas dedicadas a ídolos nem outras provas que pudessem ser consideradas flagrantes. Tudo não passaria pois duma conspiração planeada por Filipe, desejoso de se apropriar dos inúmeros bens da Ordem, isto para além de lhes retirar influência e poder no seu país.
Muitos templários acabam mesmo por ser condenados à fogueira, não pelas heresias que afinal nunca cometeram, mas porque detinham inúmeros bens e a sua utilidade já não era assim tão apreciada. Constituíam pois um entrave aos desejos da Coroa Francesa.
Jacques de Molay, grão-mestre da Ordem desde 1298, e Geoffroi de Charnay, preceptor da Normandia, acabariam por ser condenados à morte na fogueira em Março de 1314. 
A lealdade dos templários para com a Santa Sé tinha sido também esquecida. O Papa Clemente V agia, nesta questão, como se fosse um vassalo do rei de França, quando deveria ser exactamente ao contrário... Basta recordar que este senhor tinha sido o antigo arcebispo de Bordéus, tendo recebido o apoio do rei de França, aquando da sua elevação a Sumo Pontífice. Clemente V, ou Bertrand de Gouth (seu nome de nascimento), tinha que compensar agora Filipe e aprovar tudo o que ele desejasse fazer.
Os tribunais estavam controlados de tal forma que a desgraça dos templários era inevitável. 
Em 1307, o grão-mestre Jacques de Molay foi convidado a assumir a culpa (que não tinha!). Se efectuasse a confissão, a pena de morte pela fogueira poderia ser comutada pela detenção perpétua. Contudo, Jacques recusou tal cenário, assumindo até ao fim a sua inocência. O julgamento demorou uns longos 7 anos que equivaleram a torturas sistemáticas no seu líder e demais cavaleiros da Ordem. 
O fim do martírio do grão-mestre e do seu fiel preceptor chegava pela via da fogueira em 18 de Março de 1314, sendo curioso o seguinte relato sobre as eventuais incidências que envolveram execução. Não saberemos se Jacques de Molay proferiu tais palavras, mas a lenda da maldição dos templários nasceria neste preciso momento:


"A tranquilidade e passividade dos Templários contrastavam com o cenário da execução. O padre convocado para confessá-los recebeu como resposta - “Guarde suas orações para o Rei”. Às margens do Rio Sena, um palanque havia sido armado e a família real, assim como grandes autoridades do Reino da França, observavam quando o fogo fosse ateado à pira de execução.
É nesse instante que Jacques DeMolay estendeu seu braço em direcção ao palanque e pronunciou sua maldição – “Nekan, Adonai! Chol-begoal!”; palavras hebraicas que significam “Vingança, Senhor! Abominação a todos!” Em seguida, o Grão-Mestre convocou seus três algozes, Papa Clemente V, Rei Filipe, o Belo, e Cavaleiro Guilherme de Nogaret [conselheiro do rei], a comparecem diante do Tribunal dos Céus dentro de um ano para serem julgados. Por fim, amaldiçoou a dinastia de Filipe por 13 gerações. As chamas, então, consumiram seu corpo, mas nem um grito de dor do Grão-Mestre dos Templários foi escutado e o choque de suas palavras era visível no rosto das autoridades presentes"

(excerto do artigo de Hugo Lima)


De facto, as últimas alegadas palavras de Jacques de Molay não parecem ter sido em vão. A maldição dos templários faria com que o rei de França e o Papa tivessem muito pouco tempo para festejar a vitória na sequência da grande conspiração que tinham encenado. 
Passava pouco mais de um mês da execução, quando Clemente V, com 50 anos, falece em Roquemaure (França), vítima talvez duma úlcera gastrointestinal ou de lúpus. Ainda no ano trágico de 1314, mais concretamente em Novembro, o rei Filipe, o Belo, também não escapa à maldição, tendo sucumbido devido a uma forte queda, enquanto caçava montado no seu cavalo. O monarca tinha vivido apenas 46 anos.
Todos tinham falecido em menos de 1 ano!
Mas a história não fica por aqui pois os sucessores de Filipe também foram invocados na suposta maldição. De facto, o seu  filho mais velho, Luís X, o Teimoso, não governaria por mais de dois anos. Os seus dois outros filhos, Filipe V, o Alto, e Carlos IV, o Belo, tornaram-se reis da França, mas antes que catorze anos se passassem, estavam todos mortos.
A única parte da profecia que não bate certo está relacionada com o falecimento de Guilherme de Nogaret, conselheiro real, visto que este já teria desaparecido em 1313, isto é, ainda antes da execução em 1314. Logo, não poderia ser invocado na maldição, pois a sua morte já teria ocorrido. 
Todavia, é possível que tenha existido um equívoco da potencial testemunha que assistiu às ocorrências, até porque poderia perfeitamente estar a referir-se a Guilherme de Paris, dominicano, confessor do rei e inquisidor que também se destacou no processo de julgamento dos templários. Este terá sido esfaqueado até à morte, pouco tempo depois da execução dos principais dignitários da Ordem do Templo. Tal como nos outros dois casos, não terá chegado são e salvo a 1315. 
Se esta lenda, tal como muitas outras dos templários (nomeadamente a do Santo Graal), tem algum fundo de veracidade, não o sabemos. Certo é que a revolta dos templários, inocentes em toda esta cabala, deveria ser enorme. A sede de justiça deveria ser infinita! Afinal, quem conduziu este processo, sabia muito bem  o que estava em causa. Não eram as questões religiosas que os incomodavam... Os interesses eram outros. A influência e o património dos Templários eram pois alvo de inveja e cobiça.



Imagem nº 1 - Jacques de Molay alegou sempre a sua inocência até ao fim do processo.


PS: Em Portugal, o rei D. Dinis agiu de forma mais moderada do que Filipe, o Belo. A Ordem do Templo foi encerrada, como o Papa Clemente tinha exigido, contudo o rei português transferiu os seus bens para uma nova Irmandade - a Ordem de Cristo, sem que tenham sido realizadas perseguições aos templários portugueses... O processo de extinção fora pacífico no nosso país.


Fontes Consultadas: