segunda-feira, 4 de maio de 2020

Críticas manifestamente exageradas

O Gabinete de Crise de Ovar foi fundamental para conter a propagação do COVID-19. Claro que se me disserem que houve algumas falhas (por exemplo, ao nível do atendimento telefónico e da resposta atempada a e-mails) e que até ausência de informação relevante sobre o seu funcionamento e sincronização (por exemplo, acho que se deveria ter divulgado previamente aos jornalistas a forma como o Gabinete de Crise se regia e se organizava), direi que fará sempre algum sentido. Mas será redutor, e até muito injusto, o pensamento daqueles que julgam que o Gabinete de Crise de Ovar não passou de um mito ou que não acrescentou quase nada neste panorama. 
De facto, esta estrutura foi essencial no combate à pandemia que atingiu uma dimensão comunitária no concelho de Ovar. Na sua essência, congregou os contributos determinantes dos Bombeiros Voluntários de Esmoriz e Ovar, da GNR, da PSP e do próprio Exército (Aeródromo de Maceda e Autoridade Marítima Local). Também o Hospital de Ovar prestou naturalmente um contributo decisivo, servindo com os seus melhores profissionais.
Construiu-se um Hospital de Campanha, fizeram-se testes, sensibilizaram-se as comunidades e quem foi contagiado seria tratado e seguido com máxima atenção. E as autoridades que citei ali em cima foram decisivas em todo este processo - bombeiros, polícias, médicos e militares! Negar o valor do trabalho destas pessoas é algo que jamais faria.
Se erros houve, foram certamente cometidos porque esta era uma realidade nova, nunca antes experimentada. Quando enfrentamos o desconhecido, é natural que alguns "tiros no escuro" não acertem no alvo.
O Gabinete de Crise juntou profissionais e voluntários. Não sinto que tenha o perfil necessário para os poder avaliar. Na verdade, não possuo os dados todos, mas de todas as opiniões que já li e ouvi, mesmo da parte de cidadãos bem posicionados de diferentes ideologias, penso que o Gabinete de Crise de Ovar, embora não perfeito, foi um trunfo absolutamente determinante para fazer recuar o Coronavírus no município.
A crítica (positiva ou negativa) ao executivo municipal deve ser feita quando há motivo para o fazer. Neste caso, creio que as críticas ao Gabinete de Crise de Ovar são manifestamente exageradas, para não dizer, totalmente desenquadradas.




Site Autárquico da CM Ovar Gabinete de Crise

Junta de Freguesia de Esmoriz já abriu portas, o Cemitério reabre amanhã e os Mercados da Cidade regressam

Desde finais de Abril, que o edifício da Junta de Freguesia de Esmoriz se encontra com as portas abertas para assegurar o atendimento público. No entanto, o acesso dos cidadãos aos serviços  proporcionados por este organismo terá que obedecer ao cumprimento das seguintes regras (as quais estão com a consonância com a lei que entrou hoje em vigor):

  • Higienização das mãos (há um desinfectante no balcão da secretaria)
  • Uso obrigatório de máscara ou viseira.
  • Respeito pelo distanciamento social de 2 metros.
  • É proibida aglomerações superiores a 10 pessoas.

No cemitério da cidade, o qual reabre nesta terça-feira, também terão que ser adoptadas estas regras. Além do que foi dito em cima, não serão disponibilizados baldes nem vassouras, sendo que os cidadãos devem permanecer neste local fúnebre pelo período estritamente necessário.
No comunicado do Plano de Desconfinamento da Junta de Freguesia de Esmoriz, agendaram-se igualmente as reaberturas do Mercado da Praça dos Combatentes (a 16 de Maio) e a Feira Semanal da Revenda (18 de Maio). De novo, os cidadãos que frequentem estes espaços terão que se munir de máscaras/viseiras, respeitar o distanciamento social de dois metros, evitar aglomerados populacionais. Sabemos ainda que cada banca terá que disponibilizar um álcool-gel para os clientes de forma a que possam desinfectar as suas mãos. Haverá um circuito único de circulação de forma a evitar que os cidadãos se cruzem. 
Por outro lado, apuramos igualmente que a Secretaria da Comissão de Melhoramentos de Esmoriz, sita no edifício da Junta de Freguesia de Esmoriz, já foi reaberta. Quem desejar regularizar quotas ou solicitar esclarecimentos, já poderá fazê-lo de segunda a sexta-feira pelas manhãs (9:00-12:30).




As cusquices de Esmoriz: Assembleia de Freguesia de Esmoriz: Junta ...

Hospital de Ovar já definiu plano para a retoma da atividade assistencial

O Hospital Dr. Francisco Zagalo – Ovar (HFZ-Ovar) já tem o plano para a retoma da atividade assistencial, suspensa desde 14 de março para dar resposta às necessidades decorrentes da pandemia.
A unidade hospitalar estará preparada para retomar uma "nova normalidade" a partir do próximo dia 11 de maio, reativando a consulta externa, hospital de dia e os Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (como o laboratório, raio-X, entre outros).
“Estamos a criar condições que permitam garantir a segurança para profissionais e utentes, assegurando-se um correto distanciamento social, atendendo ao espaço físico disponível. Para tal, tivemos de organizar os diferentes espaços, redefinir os circuitos, fluxos e procedimentos necessários a uma retoma segura para todos”, explica o presidente do Conselho Diretivo do HFZ-Ovar, Luís Miguel Ferreira.
Entre as medidas previstas - que seguem, de resto, um conjunto de estratégias a adotar neste período pelas instituições de saúde à escala nacional - destaque para a diminuição do tempo dos utentes no serviço, as consultas e os atos com hora marcada, o desfasamento de horários e definição de distâncias de segurança nas salas de espera reduzidas ao mínimo indispensável.
Já na entrada dos edifício será feito inquérito ao estado de saúde e medição da temperatura corporal, sendo que os utentes poderão entrar no espaço do hospital poucos minutos antes da hora da marcação da consulta ou exame.
“São enormes as restrições que todos estamos a prever para esta retoma da atividade não Covid, que será concretizada de forma gradual e faseada, em função do contexto epidemiológico específico da unidade de saúde, como, aliás, recomenda a tutela”, sublinha Luís Miguel Ferreira.
“No nosso hospital, com espaços muito limitados, torna-se mais difícil e exigente esta definição segura dos circuitos, pelo que a prudência será a palavra de ordem, ainda que estejamos certos que há muitos utentes a precisar destas respostas que agora iremos retomar”, adianta.
De acordo com o plano, que já seguiu para o Ministério da Saúde, a reprogramação da atividade cirúrgica está prevista para o próximo dia 01 de junho (nas especialidades de Otorrinolaringologia, Cirurgia geral, Oftalmologia, Ortopedia e Urologia), ainda que “bastante condicionada pelo perfil do hospital e das condições dos serviços cirúrgicos e Bloco Operatório atuais”, acrescenta o presidente do Conselho Diretivo da unidade hospitalar.
Refira-se ainda que no contexto da retoma da atividade assistencial foi montado no parque de estacionamento, esta semana, um contentor técnico cedido pelos Bombeiros de Esmoriz, devidamente apetrechado, onde é efetuada a consulta de triagem Covid-19 para pessoas referenciadas pela equipa ADC/CSP e Saúde Pública. Um alteração de espaço que surgiu após a necessária descontaminação - por parte dos militares do núcleo de matérias perigosas da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR - da área da consulta externa, zona que durante cerca de um mês garantiu a referida resposta no combate à pandemia e que agora se prepara para o regresso à normalidade possível.

Ovar, 01 de maio de 2020
Fernando Pinho (Departamento de Comunicação do Hospital de Ovar)








Em diálogo com Ana Roxo


À conversa com uma convidada especial
5 Perguntas de Rotina, 5 Respostas de Quarentena
Entrevista Publicada Originalmente na Página da Comissão de Melhoramentos de Esmoriz


Hoje é dia de falarmos com Ana Roxo, poetisa natural de Esmoriz. Vamos tentar saber o que anda ela a fazer através de um questionário que lhe enviamos.


1 – Olá Ana. Que impacto sentiu quando foi decretado o Estado de Quarentena em Ovar? Acha que o seu prolongamento recente por mais quinze dias foi uma medida justa? 📌

R: Teria sido mais justo, digamos, assim, talvez se fosse um prolongamento da primeira. Claro que as empresas precisariam de escoar o produto, mas o governo começou a dar muitas excepções a empresas. E penso que isto não ajudou.



2 – Acha que o Governo, e até mesmo a autarquia de Ovar, têm cometido algum excesso de zelo ou será que a sua actuação teria sempre de assumir estes moldes? 📌

R: Isto é uma situação inédita para todos eles e para nós também. Não sei se é excesso de zelo. No fundo, quem sabe lidar com esta situação? Ninguém. Mal ou bem, só o tempo o dirá verdadeiramente. Foi articulado com as entidades ligadas à Saúde. Disso, não entendo. Mas algo foi e está a ser feito. É melhor tentar fazer algo, do que não fazer coisa alguma. Pelo menos, tentou-se. O que dizem lá fora é que estamos a agir bem em Portugal. Quanto a Ovar, propriamente, se calhar, foi feito o que se achou melhor. Volto a frisar que esta é uma situação com a qual ninguém sabe lidar verdadeiramente.



3 – Acredita que a nossa cidade irá ultrapassar esta fase adversa? Ou vêm aí tempos difíceis? 📌

R: Certamente irá ultrapassar estes tempos difíceis. Mas não podemos pensar que os tempos futuros serão fáceis. Depois da pandemia nada será como dantes. E, não, não vai ficar tudo bem para todos. Nem estamos todos no mesmo barco. Temos também que ser realistas. A vida continuará para muitos de nós. Não, não iremos voltar ao normal. Iremos ter que nos adaptar a novas situações, mas o ser humano é adaptável. A humanidade já sobreviveu a outras pandemias. O vírus está a revirar as nossas vidas. Contudo, também deveremos aprender algo com isto. O nosso planeta precisa de mudança. Nós, seres humanos, destruímos tudo. Não interessa agora se é verdade ou não que foi criado em laboratório, se foi a China, ou seja lá quem tenha sido e se foi alguém. O que interessa realmente é que o aparecimento deste vírus é culpa do ser humano. Não podemos nem devemos tratar assim a nossa casa comum: a Terra. Há muita coisa a ser repensada, nomeadamente, o modelo económico, a meu ver. Mas, a Economia demorará a recuperar. Será um processo muito lento.



4 – Tem aproveitado esta pausa para colocar a escrita em dia? 📌

R: Tenho escrito em cadernos até há pouco tempo, porque o meu portátil avariou e tive de comprar outro. Hoje prefiro escrever nele. Se escrever em papel, passo a vida a apagar e a tornar a escrever e só gasto papel e caneta. Parece que nunca está bem. Prefiro escrever no computador, mas só há pouco tempo tenho o novo.



5 – Quando é que, um dia destes, publica o seu próprio livro de poesia? 📌

R: Quando, não sei. Nem sei se irei começar pela poesia, ou, se pela prosa, nomeadamente, num romance. Já tenho textos meus em antologias, mas sim, quero publicar um livro; porém, não mais nesses moldes e preferia uma editora mais conhecida ou um pouco mais conhecida. Está lá o meu trabalho, mas não é só meu. E eu desejo algo só meu. Mas isso, exige também investimento próprio.


Agradecemos o tempo que nos concedeu.
Um abraço





"Liberdade!!! Liberdade!!!" (Artigo de Opinião da autoria de Florindo Pinto)


LIBERDADE!!! LIBERDADE!!!


Ouvimos dizer, bem alto, num Portugal de lés a lés, que estamos a viver em liberdade, mas, por aqui, é “conversa da treta”.

Um “bichinho” apareceu, anda por aí, já visitou alguns, avisou, incomodou e deixou marcas dolorosas, em uns tantos.

Como estratégia para o “combater”, a Câmara de Ovar delimitou o seu território, transformou-o numa “reserva” para “caras-brancas”, a que deu um nome pomposo; “Terra da Calamidade”.

Lisboa aceitou o pedido de “distinção”, criou as regras de administração e para garantir o seu cumprimento, não considerou o bom sentido de responsabilidade dos visados e destacou, para o vigiar da zona, os “novos” carcereiros, ou guardas prisionais.

E, assim estamos; diferentes dos outros, condicionados a um espaço, prisioneiros da vontade do chefe da tribo, sem a liberdade que os outros têm.

Não podemos pisar solo “estranho” e os “estranhos”, não podem visitar a “reserva”, onde a calamidade terá montado o seu quartel-general, como parece pensar e anda a propagandear, o “grande chefe Salvador”.

Sujeitos à vontade dos “moradores”, naquele edifício da Praça da República, poiso dos colonizadores/exploradores, Esmoriz, vive em liberdade???

Esmorizenses, acordem e continuem na procura da realização do sonho e da vontade dos nossos antepassados: Cidade justifica Município.

Florindo Pinto (25/04/2020)



As cusquices de Esmoriz: Florindo Pinto lançou novo livro

Imagem nº 1 - Florindo Pinto deixa críticas aos procedimentos da autarquia e defende mais liberdade para Esmoriz.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

As medidas implementadas pela autarquia serão suficientes? (Artigo de Opinião)

Em primeiro lugar, é uma boa notícia saber que só existem 304 casos activos no concelho de Ovar (embora o número total de infectados desde o início da propagação da pandemia em Portugal seja de 692 no concelho, no entanto, existem já 353 recuperados e 35 óbitos a lamentar), o que reflecte a ideia de que o Gabinete de Crise de Ovar e as Cercas Sanitárias cumpriram a sua missão de conter a contaminação comunitária. Apesar de um certo excesso ao nível de algumas intervenções ou afirmações políticas, a verdade é que a maior parte das decisões tomadas, durante esse período, pelo Presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, foram acertadas e isso ajudou, quer gostemos ou não do actual executivo, a evitar que mais pessoas fossem contagiadas, e até a salvar vidas humanas.
Mas o que nos leva hoje a redigir este artigo é a interpretação das medidas tomadas recentemente pela autarquia que permitirão aliviar a condição económica crítica das famílias e empresas. É certo que deverá haver uma maior ajuda do Governo ao concelho de Ovar, tendo em conta que este sofreu mais na pele os efeitos da conjuntura. Contudo, voltamos à pergunta do costume - serão estas medidas da edilidade suficientes para inverter a quebra do último mês e meio?
Em primeiro lugar, há procedimentos com os quais concordamos - a isenção de taxas municipais previstas para a ocupação de espaços (caso do mercado municipal), o aumento dos apoios às IPSS's e às corporações de bombeiros, a isenção dos pagamentos relativos aos Contratos de Incubação da Incubadora de Empresas de Ovar, a implementação de uma estrutura que acolha vítimas de violência doméstica, o pagamento imediato a fornecedores, o aumento do número das bolsas de estudo a atribuir e a utilização de cartazes e dos meios de comunicação para sensibilizarem a população para o uso de máscara e outros procedimentos cívicos.
Estas decisões permitirão reforçar o papel já acrescido das entidades que se dedicam a servir a sociedade, em tempos mais difíceis. Por outro lado, haverá estímulos para a inovação, o que pode até resultar na criação de alguns postos de trabalho, embora não se esperem milagres neste ponto. E claro para uma retoma económica gradual, tem que se continuar a sensibilizar a população para os perigos do contágio. Tudo isto me parece bastante pertinente.
Mas não posso afirmar que este pacote de medidas é suficiente, pelo que espero um novo conjunto de iniciativas por parte da autarquia. Apesar da inequívoca utilidade desta sua primeira versão apresentada, penso que a autarquia poderia tomar decisões mais arrojadas futuramente:

  1. Redução do IMI para o mínimo legal (0,30%) - a autarquia alega que está a tentar resolver o assunto com a Autoridade Tributária de forma a poder praticar alguma redução no âmbito do IMI familiar, mas não sabemos que decisão será tomada.
  2. Descontos na Conta da Água para os próximos 3 meses, o que justificaria um acordo com a ADRA.
  3. Cancelamento de todas as festividades de Verão e utilização de parte da sua verba para incentivar empreendimentos solidários que sirvam a população, de forma a garantir que os voluntários não tenham despesas acrescidas ao nível do transporte e aquisição de produtos alimentares que serão depois doados aos mais necessitados. Por outro lado, o aumento gradual dos apoios às IPSS's e Bombeiros Voluntários de Esmoriz e Ovar tem de ser mantido nos próximos 2 anos.
  4. Reforço das acções de limpeza, desinfecção e higienização dos vários lugares do concelho.
  5. Colocação de novos cartazes que apelem os cidadãos a apoiarem o comércio local.
  6. Atribuir mais incentivos fiscais às empresas, com mais de 20 trabalhadores, que tenham mantido todos os seus postos de trabalho.
  7. Premiar as três melhores empresas do concelho ao nível da sustentabilidade e do recurso ao tele-trabalho.
  8. Vigiar o acesso às praias, fazendo que só os verdadeiros praticantes de desporto náutico possam aceder e desaconselhar tentativas de ajuntamentos de mais de dez pessoas. 
  9. Apostar em campanhas de sensibilização social junto de creches, escolas, firmas (com mais de 50 trabalhadores) e lares, de forma a garantir-se o cumprimento das normas de higiene, o distanciamento social, o uso de máscara e a adopção das posturas recomendadas. A equipa responsável por essas acções deverá elaborar um relatório e apurar se a lei está a ser cumprida de forma a proteger alunos, trabalhadores e idosos.
  10. Pressionar junto do Governo para que mais medidas de alívio sejam implementadas, de forma excepcional, no concelho. O Hospital de Ovar precisa também de ser apoiado.

Sabemos que a autarquia terá que abrir os cordões à bolsa e até, em último caso, condicionar ou até colocar em causa o equilíbrio financeiro que se vislumbrara nos últimos 10 anos, mas poderá não ter muitas mais alternativas, de forma a atenuar, a todo o custo, os números do desemprego e de insolvências que se possam vir a registar nos próximos meses. Como é lógico, o combate à crise exigirá sacrifícios das autarquias que vão ter que abdicar de parte das receitas (impostos) e aumentar as despesas para apoiar a sociedade neste momento tão difícil.
No entanto, a comunidade terá de saber contribuir, respeitando a lei e a emergência sanitária, porque só assim voltaremos mais depressa à normalidade.




Ovar dedica mês de Maio ao azulejo. | TerraNova

Imagem meramente exemplificativa retirada do Site Terra Nova

Em diálogo com Sérgio Vicente Prata


À conversa com um convidado especial
5 Perguntas de Rotina, 5 Respostas de Quarentena
Entrevista Publicada Originalmente na Página da Comissão de Melhoramentos de Esmoriz


Hoje é dia de falarmos com Sérgio Vicente Prata, Presidente da Junta de Freguesia de Cortegaça. Vamos tentar saber como ele tem encarado este contexto adverso provocado pela propagação do COVID-19.


1 – Olá Sr. Presidente Sérgio Vicente Prata. Que impacto sentiu quando foi decretado o Estado de Quarentena no concelho de Ovar? A Cerca Sanitária foi mesmo necessária para conter os focos de propagação de COVID-19? 📌

R: Olá a todos, a privação da liberdade seja qual for o formato, é algo que causa incómodo, que não desejamos e contra o qual lutamos enquanto seres sociais. O decretar do estado de quarentena no concelho de Ovar teve em primeiro lugar um impacto difícil de digerir por aqueles que, como eu, enquanto decisor politico, preferem sempre decidir algo, que sabe que só trará consequências positivas para as pessoas.
No meu entender a cerca sanitária foi positiva e necessária numa fase em que era desconhecido o vírus e a sua forma de atuação, era também desconhecido o estado em que o concelho se encontrava, mas em que já se sabia da forte possibilidade da existência de uma contaminação comunitária ativa.
A contenção e a localização dos principais focos de contaminação foram o grande resultado da cerca, o valor acrescentado que ela trouxe foi o de podermos agora estar melhor preparados em termos de equipamentos, infraestruturas e meios de combate à pandemia.



2 – Apesar de ser a localidade com menos infectados no concelho (16 ao todo), a Junta de Freguesia de Cortegaça está a preparar algum plano em especial para lidar com as consequências do COVID-19? 📌

R: A batalha contra o vírus no concelho de Ovar conduziu a uma contenção geográfica popularmente conhecida por "cerca", fruto da presença de uma contaminação comunitária.
Foi encarada com uma estratégia dinâmica e com uma forte presença operacional no terreno, através do gabinete de Crise, que revelou bons resultados, no controlo da contaminação.
A Junta de Freguesia de Cortegaça ainda antes de ser decretada a cerca sanitária, elaborou o seu plano de contingência, além da aquisição de meios de proteção individual, implementou medidas de restrição coletiva. A redução do período de atendimento, o encerramento dos equipamentos públicos, como por exemplo, o cemitério, entre outros, executamos ainda campanhas de sensibilização através da rádio, das redes sociais e do site da Junta. Procuramos acompanhar os nossos empresários, dando-lhes apoio naquilo que estava ao nosso alcance, procurando ser a voz, das suas reivindicações junto do Gabinete de Crise.
No plano "pós-cerca", ou em estado de emergência, entendemos que devemos continuar a implementar o plano de contingência, as medidas de prevenção recomendadas pela DGS, como o uso obrigatório das máscaras, faremos gradualmente a reversão das medidas restritivas de acordo com o evoluir da situação.
Contudo o que é certo e isso tenho de realçar, é que, o comportamento de cada um é decisivo para vencermos esta batalha.



3 – Aproxima-se a época balnear. Acredita que a vila de Cortegaça conseguirá desfrutar de um Verão normal? As receitas dos comerciantes e demais responsáveis da restauração não serão afectadas? 📌

R: Penso que nenhum país, município ou freguesia terá a disponibilidade de desfrutar de um verão “normal”, desde logo prevê-se a diminuição do fluxo turístico, bem como o receio que ainda pairará nos portugueses relativamente à pandemia, enquanto não se encontrar uma solução médica capaz de anular os seus efeitos no ser humano.
Quanto às receitas creio que todas as áreas económicas serão afetadas por esta situação, naturalmente a área da restauração será mais afetada quer por ser a que proporciona mais convívio entre as pessoas e ao que indica ele ainda será limitado durante mais algum tempo, mas também, porque será com certeza o ultimo setor onde serão levantadas as restrições.



4 – E os eventos festivos veraneantes em Cortegaça estarão em risco? 📌

R: Sim, estão em risco, quer pelo efeito da necessidade de não se expor as pessoas a uma maior possibilidade de contágio, quer pelos efeitos da própria lei, quer estejamos num estado de emergência, quer num estado de calamidade.
Há ainda outro fator que põe em risco os eventos de verão que tem haver com a sua operacionalidade, como deve compreender nos anos anteriores a preparação, a programação, os contatos necessários à sua realização já estavam todos realizados e acordados por esta altura, logo o tempo para se iniciar todo este procedimento já esgotou de forma a que fosse possível realizar estes eventos, com a qualidade e a segurança com que habitualmente se fazem. Digo assim que os eventos de junho, julho e agosto, dificilmente se realizarão em 2020.



5 – Acredita que a vila irá dar a volta por cima e ressurgir com mais força? 📌

R: Cortegaça é uma vila fortemente empreendedora, com uma grande dinâmica empresarial, cultural, desportiva e social. As bases de todas estas empresas, organizações e associações, são fortes e robustas, as pessoas que as dirigem são resilientes, demonstram um forte carácter de resistência, por isso estamos confiantes no futuro, como sempre estivemos.
Mas deixe-me dizer-lhe, sou dos que defende e acredita na iniciativa privada, como motor económico e de desenvolvimento das sociedades e das comunidades, contudo em tempos de crise o papel do estado/governo/câmaras, é fundamental no alavancar das economias, nacionais e locais.
Urge voltar aos eixos, é urgente a retoma das nossa vidas, tenho ouvido dizer que não há economia saudável sem pessoas saudáveis, eu prefiro acreditar e defender que não há pessoas saudáveis, sem uma economia, forte, pujante, competitiva, inovadora e de sucesso, de forma a proporcionar ás pessoas, aqueles que são os seus direitos primários, como o acesso à saúde de qualidade, o acesso à educação plena, o acesso ao emprego e ao trabalho, a capacidade de gerir o seu próprio negocio, o acesso ao desporto, à cultura, ao lazer, no fundo que proporcione melhor qualidade de vida.
Há uns anos num período de crise que assolou Portugal alguém dizia: "há mais vida para além da crise", agora é tempo de dizer:

"Há mais vida, para além do Covid".

Obrigado
Sérgio Vicente